Análise

Mercado aprova plano da Petrobras, mas cobra detalhamento de financiamento

Para analistas, faltou à estatal informar de onde vai tirar o dinheiro para cobrir o investimento, se vai conseguir convencer o governo a manter os preços dos combustíveis e ainda quais os ativos que serão vendidos

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SÃO PAULO – O novo plano de negócios da Petrobras (PETR3; PETR4) trouxe um corte de investimento em linha com as expectativas do mercado. Mas pecou na falta de detalhamento sobre a estratégia de financiamento, o desinvestimento e os rumos da política de preços.

Para analistas, faltou à estatal informar de onde vai tirar o dinheiro para cobrir o investimento, se vai conseguir convencer o governo a manter os preços dos combustíveis em linha com as cotações internacionais e ainda quais os ativos que serão vendidos, dentro do seu programa de desinvestimento.

“É difícil entender como a Petrobras vai gerar caixa – acima do seu valor de mercado – por meio de desmobilização e venda de ativos em apenas dois anos”, destacou a equipe de análise do Bradesco BBI. Para eles, levando em conta as premissas da estatal, a geração de caixa apenas com a operação não será suficiente para cobrir os investimentos anunciados.

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Para a equipe do Credit Suisse, a estatal “não poderia ter dito muito mais em seu comunicado do plano de negócios”, sendo que os números apresentados foram mais realistas, sendo assim bem-vindos para o mercado. “Ao longo do tempo, a produção não veio e os preços do petróleo estão baixos agora […] Desta vez, a desalavancagem gradual que a Petrobras propõe é extremamente dependente de um alvo muito alto de desinvestimento – de R$ 58 bilhões – ao longo de quatro anos”, afirmaram os analistas.

Subsídios
O BTG Pactual destaca que a intenção de acabar com o subsídio dos combustíveis fez parte de todos os planos da Petrobras nos últimos anos e que a empresa precisaria sinalizar com mais clareza a sua política de preços para convencer o mercado de que não vai voltar a subsidiar os combustíveis.

“Os preços da gasolina estão com desconto há mais de um mês”, ressaltou o banco. Ele ainda questiona o plano de desinvestimento da petroleira que “também parece um desafio, a não ser que a empresa aceite vender participações majoritárias em ativos a serem alienados”.

Para o Morgan Stanley, considerando as premissas de preço do petróleo do tipo Brent (US$60/barril neste ano), do câmbio (R$ 3,10 em 2015) e a retração da meta de produção, “é difícil ver como a Petrobras pode se desalavancar (reduzir o compromisso do caixa com o pagamento de dívida).”

Para Karina Freitas, da corretora Concórdia, a revisão da meta da meta de produção de petróleo de 4,2 milhões de barris por dia para 3,7 milhões em 2020 tem intenção de evitar frustrações, o que tem acontecido de forma recorrente.

“Acreditamos que o momento é bastante desafiador para a empresa, que terá que colocar ativos a venda num período pouco favorável, fator que aliado ao aumento da produção – agora menos robusta – e política de preços condizente será relevante para a redução de seu endividamento”, aponta o relatório. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Com Agência Estado