Juventude e tecnologia

Maurício de Sousa revela segredos do sucesso imortal da Turma da Mônica

O desenhista afirma que gosta de contratar jovens e que a tecnologia é um caminho sem volta   

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BELO HORIZONTE – Maurício de Sousa dispensa apresentações: praticamente todo brasileiro já leu ou viu um gibi da Turma da Mônica. A construção de uma marca tão forte passa por uma gestão extremamente focada.

Em uma palestra durante evento organizado pela Hotmart em Belo Horizonte, o desenhista deu algumas dicas de carreira e compartilhou insights de seu negócio. Segundo ele, a característica fundamental do profissional de hoje é gostar do que faz.

Ele gosta tanto que, mesmo depois de 60 anos de empresa, o próprio Maurício desenha pessoalmente o dinossauro Horácio e supervisiona e aprova todos os roteiros. 

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Tem lugar para todos

“No caso de desenhistas e roteiristas, por exemplo, precisa brincar de desenhar e contar história antes de pensar em trabalhar. Importante demonstrar gosto por aquilo”. Isso dita a organização de todo o seu time. “Eu tenho o hábito de contratar gente jovem. Eles chegam na empresa e continuar a brincar de desenhar”, afirma.

Se a pessoa gosta do que faz, se dedica, e a chance de uma carreira de sucesso é maior.

“Uma vez, vi uma menina de 7 anos desenhando. Conversei com a mãe dela e pedi para me encontrar novamente quando a menina tivesse 14 anos [idade mínima para contratos de jovem-aprendiz] e que não parasse de incentivar o talento. Ela voltou, e, com 15 anos, a menina tinha um dos maiores salários da empresa porque era uma das melhores roteiristas que tínhamos. Se eu vejo talento, recruto cedo e ajudo na profissionalização”, diz.

A menina foi uma exceção pela idade realmente prematura, mas Maurício explica que realmente tem como hábito contratar gente jovem e recém-formada para a Maurício de Sousa Produções (MSP).  

Sousa afirma que a chegada da tecnologia ajudou e muito a produção de mais histórias em quadrinhos. “Nossa produção ficou mais ágil. Hoje quase todos os nossos roteiristas usam computadores para desenhar. Contamos com uma equipe de 300 pessoas na parte gráfica. O caminho é a tecnologia e não tem volta”, diz.

Ainda assim, Maurício não dispensa os chamados “dinossauros”. São profissionais que têm mais de 40 anos de casa e ainda desenham tudo na mão.

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“Eles conseguem fazer a mesma coisa que o pessoal do computador, de forma mais lenta, mas com a mesma qualidade. São bons profissionais e meus amigos”, explica.

Na visão do cartunista, esses profissionais precisam trabalhar em empresas que se “preocupam com o crescimento do funcionário e com a evolução de seu trabalho”.

“Não pode encostar a pessoa para fazer a mesma coisa a vida inteira, se não vai chegar uma hora em que ele vira uma máquina que não funciona mais. A empresa precisa se conscientizar e o profissional tem que saber que precisa se adaptar e evoluir sempre. Robôs só nos quadrinhos”, afirma.

Negócio sólido

A MSP detém hoje 86% do mercado de quadrinhos brasileiro. Ainda, com a evolução do negócio, a empresa conta uma grande variedade de produtos licenciados: roupas, materiais de papelaria, alimentos, produtos para pet, entre outras coisas.

Mauricio conta que um dos segredos do sucesso da companhia foi sempre se atualizar e acompanhar a tecnologia. “Hoje tenho uma equipe e estamos sempre acompanhando a comunicação o desenvolvimento do mercado. Com essa antena ligada também sabemos o que o público espera da gente”. 

Atualmente o maior sucesso do grupo é a Mônica Toy, a versão “cabeçuda” da Turma da Mônica difundida mundialmente. “No YouTube, nosso maior público é da Rússia e abri uma empresa no Japão para expandir o negócio por lá”, diz o desenhista sobre sua nova fase de expansão. 

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Segundo ele, as crianças são iguais em todos os lugares e todas se identificam com os personagens de seus quadrinhos. “A Turma da Mônica é universal”, orgulha-se. 

Um outro diferencial é o contato com o público. O desenhista afirma que nessa nova era digital a empresa está bem presente nas redes sociais. “Eu preciso estar próximo para me darem ideias e novas sugestões”.

Sucessão

Sousa conta que teve 10 filhos e 3 deles trabalham ativamente na companhia. “Marina, Mônica e Mauro são expoentes nos negócios e sabem como funciona. A transição de pai para chefe não foi difícil. Os filhos que não trabalham comigo respeitam e acompanham a empresa de perto”, explica.

Aos 83 anos, afirma que já tem um plano de sucessão em andamento para garantir que os filhos estejam orientados sobre o negócio e a cultura da empresa mesmo em sua ausência. “Eu sei que não estarei aqui sempre. Então, para evitar problemas no futuro tenho um projeto [de sucessão] sendo desenvolvido”.  

*A repórter viajou a convite da Hotmart