Marfrig eleva uso industrial de olho na demanda do 4º trimestre

Empresa informou que o uso da capacidade produtiva passou de 75% no início deste ano para 80% no momento

Preço da carne bovina ainda foi destaque de alta no mês
Preço da carne bovina ainda foi destaque de alta no mês

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SÃO PAULO – A Marfrig (MRFG3), segunda maior empresa de carne bovina do Brasil, está elevando o uso de sua capacidade instalada como forma de atender à crescente demanda interna, especialmente no segmento “food service”, disse o vice-presidente de relações com investidores.

“O uso da nossa capacidade produtiva vem aumentando gradativamente desde abril. A ocupação hoje dentro das nossas plantas tem oscilado entre 10-12 mil animais/dia (bovinos)”, disse João Sampaio, em entrevista à Reuters.

A empresa informou que o uso da capacidade produtiva passou de 75% no início deste ano para 80% no momento. Incremento ocorreu ao mesmo tempo em que a empresa elevou a capacidade de abate, com a reativação de três unidades – Porto Murtinho (MS), Pirenópolis (GO) e Tucumã (PA).

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Atualmente, a capacidade de abate de bovinos da companhia é de 4,18 milhões de cabeças por ano. E somando as unidades localizadas na Argentina, Chile e Uruguai totaliza 5,4 milhões de cabeças ao ano.

O executivo ressalta que este crescimento no uso industrial é puxado especialmente pela firme demanda doméstica, uma vez que o mercado externo segue equilibrado.

“O mercado interno, está tendo uma demanda (maior)… Fato que temos visto é o crescimento no ‘food service’. A Marfrig tem uma presença forte, é a líder no segmento”, explicou Sampaio.

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Food service é o mercado de alimentação fora das residências, como restaurantes, por exemplo.

O resultado mais recente da companhia mostra que o segmento de processados da companhia aumentou sua participação na receita do grupo para 46,8 por cento no segundo trimestre deste ano, ante 36,8% em igual período do ano passado.

Segundo ele, este resultado tem levado a empresa a reforçar as operações deste segmento. “Decidimos ampliar o trabalho nisso, com incremento grande nesta linha e os resultados têm aparecido”, acrescentou.

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Fim de ano
Sampaio lembra ainda que o setor tradicionalmente é favorecido no quarto trimestre, com a entrada do 13º salário e o consumo maior de carnes durante o período de comemorações de fim de ano.

Mas considera que o cenário é particularmente positivo para a empresa, por conta da marca Fiesta, que a Marfrig adquiriu da Brasil Foods.

“Começamos a operar com a marca Fiesta, da Brasil Foods, e a linha de produtos comemorativos cresceu bastante neste final de ano”, disse.

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A permuta de ativos entre a Marfrig e Brasil Foods foi anunciada no final do ano passado. O órgão antitruste (Cade) aprovou a operação em maio deste ano e o processo de permuta ocorreu entre junho e agosto.

A marca Fiesta inclui a oferta de aves especiais, como chester e peru, e de suínos, como pernil e tender, muito consumidos no período.

Ele observou ainda o calendário deste ano favorece um aumento do consumo.

“O Natal neste ano cai numa terça-feira, então a festa começa na sexta… Isso é algo raro de acontecer e que vem complementar das expectativas”, explicou o executivo.

Custos
A despeito do cenário favorável, um dos fatores que deve estar no foco do setor nesta temporada é o aumento dos custos. O salto nos preços de grãos, que pressiona as margens de operações com aves e suínos, também pode afetar as atividades com bovinos.

A expectativa inicial do setor era de preços mais baixos no segmento bovino, por conta de uma entrada maior de animais para abate, dando início a um ciclo de baixa dos valores.

Contudo, a alta dos grãos está comprometendo o segundo turno do confinamento, período em que os animais são alimentados com ração para compensar o baixo potencial das pastagens no período da seca.

“Realmente, tem se falado muito que o segundo ciclo seria menor por causa dos preços dos grãos. Mas ainda não vimos isso”, disse, acrescentando que por ora o número de animais abatidos segue “dentro do que foi planejado”.