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SÃO PAULO – As interfêrencias do governo começam a pesar no setor de transporte. As recentes manifestações do Tribunal de Contas da União em favor ao edital das próximas concessões de rodovias tem um caráter positivo para o andamento do processo, entretanto, evidencia uma remuneração mais baixa. O patamar de retorno divulgado não chega a surpreender, visto a grande alteração promovida pelo atual governo no setor elétrico, trazendo a rentabilidade para patamares simulares, disse a XP Investimentos.
A notícia não pegou o mercado desprevinido, mas ainda assim pesa nas ações do setor nesta sessão. Os papéis da OHL Brasil (OHLB3) recuavam 1,03% às 13h40 (horário de Brasília), sendo cotados a R$ 18,22, enquanto os ativos da CCR (CCRO3) registravam queda de 1,72% aos R$ 18,28. No mesmo horário, o Ibovespa avançava 0,54% aos 57.042 pontos.
Na mínima do dia, os papéis OHLB3 chegaram a cair 3,86%, sendo cotados a R$ 17,70, enquanto as ações da CCR atingiram queda de 2,37% aos R$ 18,16. O volume movimentado com os papéis da CCR de R$ 45,4 milhões também impressiona e já alcança quase a média diária de R$ 54,8 milhões dos últimos 21 períodos, em mais de 3 horas para o fechamento do pregão.
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Mão pesada do governo
O discurso da equipe econômica é claro; as menores taxas de captação e ambiente macroecônomico estável geram uma menor necessidade de remuneração de capital. “Em outras palavras, o ambiente de fato mudou e taxas desalavancadas de dois dígitos não devem ser vistas em projetos deste porte para o segmento de infraestrutura”, disse a equipe de análise da XP, chefiada por Rossano Oltramari.
A taxa prevista de retorno do investimento é de 5,5%, número sensivelmente inferior às licitações da década de 90 (15-20% de retorno) e abaixo do patamar de 8% esperado no início do ano. Apesar das taxas menores, a Agência Nacional de Transporte deixa claro que os parâmetros para o cálculo das taxas de retorno são os mesmos desde 2007 e que mesmo que neste patamar, haverá concorrência nos leilões.
Nesse contexto, os analistas apontam que mesmo que as concessionárias consigam ser mais eficientes (melhorar a taxa), acreditamos que a incorporação de novos projetos deva contribuir negativamente para suas margens operacionais, o que não retira o “appeal” dos próximos leilões, mas condiciona seu sucesso a variável preço em maior evidência.