Guerra das penny stocks

Mais uma ação que vale centavos tenta aprovar grupamento e sobreviver na Bovespa

Caso medida seja aprovada em assembleia geral extraordinária, as ações NUTR3 já passariam a ser negociadas “ex” no pregão da próxima sexta-feira

SÃO PAULO – Em meio à “guerra” travada entre a BM&FBovespa e as penny stocks (ações que valem centavos no mercado de capitais), mais uma empresa tenta se adequar a novas regras para evitar o risco de serem enxotadas da Bolsa contra sua vontade. Na manhã desta quinta-feira (20), é a vez da Nutriplant (NUTR3) tentar a aprovação de um grupamento na proporção de cem ações para uma em Assembleia Geral Extraordinária. A pauta já passou pelo Conselho de Administração em 5 de agosto.

A história não vem de agora. Na verdade, o novo regulamento foi aprovado há mais de um ano, no dia 14 de fevereiro de 2014, mas só hoje, um ano e meio depois, entrou em vigor. De acordo com o site da BM&FBovespa, as regras obrigam a manutenção da cotação de ações acima de R$ 1,00. Ou seja, se a ação seguir abaixo do valor por trinta pregões seguidos, os emissores precisarão se enquadrar (i) até a data da primeira assembleia geral ou (ii) em prazo de seis meses ou até a AGO. A medida deve ser capaz de manter a cotação acima de R$ 1,00 por seis meses.

No caso da Nutriplant, é esperado que os acionistas aprovem a decisão sem maiores problemas. Com isso, as ações NUTR3 já passariam a ser negociadas “ex” no pregão da próxima sexta-feira (21). Apesar de elevarem o valor dos papéis, grupamentos tendem a não trazer efeitos positivos para empresas que decidem realiza-los. O subsequente preço mais elevado das ações normalmente abre a possibilidade dos papéis caírem ainda mais na Bolsa. Desde fevereiro do ano passado, 22 empresas realizaram grupamento. Entre as small caps estão Metal Iguaçu (MTIG4), Lupatech (LUPA3), Recrusul (RCSL4) e Forjas Taurus (FJTA4), que tiveram quedas de 57,6%, 79,07%, 59,33%, 60,73%, respectivamente, após o processo.

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