Negócios

Lucro Vs Equity: o que devo priorizar para a minha empresa?

Mesmo que você tenha dúvidas sobre vender ou expandir a marca, é preciso preparar a empresa para oportunidades de negócios

Apesar da atual crise socioeconômica que o mundo vive, o mercado segue inflamado com companhias realizando aquisições de bilhões de dólares. Só nos últimos meses aqui no Brasil, a Pague Menos adquiriu a Extrafarma, o Grupo Soma a Hering e a Magalu comprou a Bit 55, plataforma tecnológica de processamento de cartões de créditos – 18ª aquisição da marca desde o início de 2020 -, entre outras que estão adquirindo negócios menores para aumentar seu portfólio. Então, surge a pergunta de ouro: é melhor solidificar uma empresa para lucrar ou para vender?

Antes de mais nada é importante entender qual o perfil da sua empresa e área de atuação em que ela está inserida. Por exemplo, quando falamos do setor financeiro, atualmente é um dos setores mais bem vistos pelo mercado e pelo consumidor. As fintechs digitalizaram e inovaram o segmento, o público aceitou a proposta e os grandes bancos começaram a aderir. Mas, quando falamos sobre um meio tradicional como o jurídico, esse percentual despenca bruscamente.

Mesmo que você esteja na dúvida se é melhor vender ou expandir a marca com o intuito de gerar mais faturamento, é preciso preparar a empresa para oportunidades de negócios. Se você mirar apenas na receita, deixará de tomar algumas decisões importantes. Por exemplo, é comum uma aquisição deixar de acontecer pois o grande player percebe que a startup trabalha no formato PJ e com prestadores de serviços terceirizados, e para ela migrar todo o time para CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) isso somará milhões de reais a mais no negócio.

Costumo dizer que é fundamental você preparar seu negócio para venda, mesmo que não se concretize ou tenha interesse, pois isso faz você se questionar em relação aos seus resultados: taxa de crescimento, market share, CAC, LTV, Churn Rate entre outros, o que habitualmente o empreendedor não faz.

Utilizando o meu caso, recentemente realizamos uma sociedade com o Grupo Dreamers, dono de marcas como Artplan e o Rock in Rio. O Grupo, que já possui mais de 60 anos, percebeu que estamos inovando em um mercado que considerava-se saturado e sem oportunidades. Eles viram que, nos auxiliando nesse crescimento, também iríamos agregar valor à marca deles de alguma forma.

Mas antes, eu como “vendedor” entendi a necessidade de escalar a empresa e ter governança, ou seja, mostrar que dentro da companhia haviam processos e pessoas capacitadas para coordenar cada área (COO, CTO, CMO etc), para deixar claro que mesmo sem a minha presença a engrenagem continuava funcionando a todo vapor.

Mas então você me pergunta: quero vender minha empresa ou uma fatia dela, como encontrar o valuation (valoração da empresa)? Existe uma espinha dorsal que dita a regra, mas você, novamente, tem que entender a capilaridade e o setor que você está inserido. Em linhas gerais você precisa compreender como o mercado está se comportando no mesmo segmento de atuação.

Temos duas companhias da área alimentícia: uma vendeu 5% da sua participação por R$ 1 milhão, e outra cedeu os mesmo 5% por R$ 1,2 milhão; com isso, você já tem um indicador importante, não adianta querer aumentar sete vezes mais. Por outro lado, temos segmentos que são tão maduros, pois já existem há pelo menos 100 anos, que não há como fugir do feijão com arroz: como marcas de varejo, que funcionam no múltiplo do faturamento no ano ou do Ebitda (da sigla em inglês “Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization”).

Já as empresas de tecnologia são mais voláteis uma vez que estão inseridas em um ramo recente de atuação. Antigamente se pagava um múltiplo de quatro em startups brasileiras e elas quebravam em poucos meses. Hoje se paga um múltiplo, às vezes, até de dez, pois o mercado está muito mais líquido para o investidor estrangeiro e há menos insegurança do que há seis anos – o país virou uma referência em inovação.

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Na minha visão, negócio que dá lucro é bom para o bolso do empreendedor e para os sócios, mas não para a sustentabilidade da empresa. Negócio que lucra não cresce (salvo raras exceções). Uma companhia não pode lucrar com menos de cinco anos, e se sobrar caixa em determinado mês, você precisa queimá-lo no mês seguinte: investindo na operação, tecnologias, produtos, benefícios, descontos para os clientes entre outros. Seja um empreendedor com comportamento de “predador”, pois crescer não é uma opção, é uma estratégia de sobrevivência.

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