Ao alto e avante

Lucro em época de Natal? Ação da Eletropaulo dispara 24% em 7 pregões

Rali ocorre na tradicional falta de liquidez das ações na BM&FBovespa no final de ano, por conta das festas de final de ano

linhas-de-transmissao-de-energia-eletrica-2

SÃO PAULO – As ações da Eletropaulo (ELPL4) dispararam 24,62% entre os dias 17 e 27 de dezembro, chegando aos R$ 16,35 na sua máxima do dia nesta quinta-feira (27). Por trás desse forte movimento, a possibilidade de que o mercado está invertendo a mão: os investidores, que predominantemente estavam vendidos na ação, agora estão no lado comprador.

Os números de ações alugadas aumentou nos últimos 90 dias: passou de 13 milhões por volta do dia 15 de agosto para cerca de 22 milhões no dia 20 de dezembro – aumento de 70%. Em outras palavras, 22 milhões de papéis ELPL4 estavam em posse de investidores que apostavam na queda do papel – geralmente, quem toma um papel alugado o faz para vendê-lo ao preço atual e recomprá-lo futuramente a um valor menor, lucrando com essa diferença. Alcançando seu topo máximo, o número de ações ELPL4 alugadas voltou a cair na proximidade da empresa pagar dividendos – e com isso, o preço dos ativos voltou a subir.

Hora de realizar lucros?
O rali ocorre na tradicional falta de liquidez das ações na BM&FBovespa no final de ano, por conta do hiato de três pregões entre o Natal e o Reveillon. Na perspectiva de fechar suas posições alugadas, os investidores precisam exercer pressão compradora para fechar suas posições. “O mercado está recomprando esse papel, ele caiu bastante, essa é a hora que os investidores vendidos escolhem para realizar seus lucros”, alerta Henri Evrard, analista da Infinity Asset. 

Ainda há bastante disponibilidade de aluguel, o que pode indicar que a posição alugada pode voltar a subir. De acordo com Evrard, seriam necessárias mais de duas semanas de negociações normais para que ELPL4 sumisse do banco de alugueis – movimento este que é conhecido como “short squeeze” -, o que poderia obrigar os vendidos a fecharem suas posições contra sua vontade. Na prática: se o detentor de ELPL4 que colocou a ação em aluguel resolva pegar de volta esse papel, o investidor que tomou a ação alugada terá que entregá-la ao banco e, caso ele não a possua no momento, terá que comprá-la ao preço de mercado para fazer a devolução.

Bola de neve?
Na opinião do analista, algo similar pode ter acontecido nessa semana – e criado uma bola de neve que garante a valorização do ativo. “Um grande investidor pode ter chamado as ações de volta, obrigando alguém a recomprar papéis, então há a probabilidade de ter sido apenas um”, explica.

Contudo, isso cria uma espécie de bola de neve: quando um precisa comprar as ações, em um mercado sem liquidez, acaba inflando demais o preço – já que ele não tem a opção de comprar ao preço desejado. Isso é capaz de bater no stop gain de diversos investidores, ou no stop loss de quem acaba de assumir uma posição vendida, fortalecendo o movimento altista.