Longe de recordes, Vale pode anunciar lucro menor que no início do ano

Contudo, analistas esperam recuperação da receita sobre os primeiros meses; atenção para possíveis informações sobre royalties

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SÃO PAULO – Acostumada a bater recordes, a Vale (VALE3, VALE5) divulgará seus números trimestrais após o fim das negociações desta quarta-feira (25), mas não deverá apresentar números superiores aos do ano passado – o lucro líquido, inclusive, pode ser menor até mesmo que aquele do período de janeiro a março. 

Ainda assim, a trajetória é de recuperação sobre os números do início do ano, quando as fortes chuvas prejudicaram a produção da empresa em todo o Brasil, inclusive em Carajás, área de grande importância para a mineradora e onde o período chuvoso no primeiro trimestre foi 57% mais intenso que no ano anterior.

 “Ela já mostrou que deve se recuperar, até por conta da produção de minério de ferro 15% maior na comparação anual”, afirma Victor Penna, analista do BB Investimentos, em referência aos números de produção, divulgados na semana passada e em linha com as expectativas.

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Recuperação, mas sem surpresas
Entre poucas divergências, os investidores devem se atentar para o preço médio do minério de ferro, já que os analistas do BB Investimentos e do Citi preveem uma alta nos preços, enquanto a equipe da Ágora acredita que o valor médio da commodity deve ter caído.

O fator cambial também é um ponto que merece certa atenção. “O real foi depreciado em 11% no trimestre, o que é positivo para o Ebitda [geração operacional de caixa] de uma empresa exportadora como a Vale”, escrevem em relatório Alosio Villeth Lemos e Aline Tavares da Silva, analistas da Ágora.

Mas há o outro lado da moeda. Enquanto há um fator positivo nas vendas, já que a maior parte das transações da empresa são feitas no exterior, o resultado financeiro pode trazer um impacto mais forte e pressionar o lucro líquido. 

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A despeito disso, Penna não espera grandes novidades balanço da mineradora para este trimestre. “Não tem nada que devemos nos surpreender, o mercado todo espera uma recuperação sobre o primeiro trimestre”, frisa.

Lucro pode recuar
Entretanto, a expectativa é de um lucro líquido próximo ao do primeiro trimestre, com algumas variações – tanto para cima quanto para baixo.

Os analistas da Ágora esperam que o lucro líquido da Vale caia tanto na passagem trimestral quanto anual. Aos R$ 6,4 bilhões, o número deve ser menor que os R$ 6,7 bilhões do primeiro trimestre e os R$ 10,2 bilhões do mesmo período do ano anterior.

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Já o HSBC, que divulgou suas projeções em dólar, estima o lucro em US$ 3,9 bilhões, contra os US$ 3,8 bilhões dos três primeiros meses do ano e os US$ 6,4 bilhões do ano passado, enquanto o Citi, também com os números em dólar, prevê a estabilidade do lucro. 

Mas em um ponto todos concordam: as receitas devem aumentar na passagem trimestral, mas não terá forças para superar o desempenho do mesmo período de 2011. A Ágora estima um número 7,7% menor para a receita bruta, aos R$ 23,6 bilhões, enquanto o HSBC projeta uma retração de 9% na receita líquida, para US$ 13,6 bilhões, e o Citi, uma queda de 16%, para US$ 12,5 bilhões.

Ainda na comparação anual, o HSBC estima uma queda de 19% no Ebitda (geração operacional de caixa), para US$ 7,0 bilhões, ao passo que a Ágora prevê uma retração de 25,8%, para R$ 10,9 bilhões. A estimativa mais pessimista é do Citi, projetando uma queda de 32%, para US$ 6,2 bilhões.

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Sem recordes
Assim, a certeza, ao que parece, é que nenhuma nova marca deve ser quebrada. “Apesar dela ter ultrapassado a Petrobras (PETR3, PETR4) em embarques no mês de junho, o volume não deve ser tão forte assim a ponto de bater um novo recorde no volume destinado ao mercado asiático”, chama atenção.

Para os meses adiante, Penna diz que a Vale poderá mostrar um segundo semestre melhor se a China mostrar uma recuperação mais forte. “Embora acreditamos que haverá melhora nos volumes de vendas no trimestre, o preço do minério de ferro deve começar a cair em função dos sinais de desaceleração da China”, pondera a equipe da Ágora.

Atenção para royalties, perspectivas e alienações
Entretanto, há alguns aspectos do balanço que podem surpreender, ainda que não sejam relacionadas ao desempenho financeiro ou operacional da empresa. Tanto o analista do BB Investimentos quanto a equipe do HSBC chama atenção para atualizações sobre a disputa da Vale e o DNPM (Departmaneto Nacional de Produção Mineral) sobre os royalties.

A mineradora, que afirmou na última quinta-feira ter concluído com o governo a base de cálculo para o pagamento de royalties, disse recentemente que uma definição deve ser anunciada nos “próximos dias”. Na semana passada chegou a circular no mercado que a companhia havia fechado um acordo e pagaria até R$ 4,5 bilhões ao DNPM.

O analista Jonathan Brandt, do HSBC, também chama atenção para a avaliação da Vale sobre a perspectiva do mercado global de minério de ferro e de projeções para os preços do minério de ferro no segundo semestre. A atualização sobre os projetos e futuras alienações de ativos também merecem destaque.