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Jornal compara Petrobras com PDVSA e alerta: “empresa foi aparelhada”

De acordo com o editorial, a presidente da estatal Maria das Graças Foster, tem tentado resgatar a companhia, mas já não sabe se terá condições de ser operadora monopolista no pré-sal e sócia cativa nos consórcios

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SÃO PAULO – O jornal carioca O Globo publicou um editorial nesta terça-feira (29) alertando para a atual situação da Petrobras (PETR3; PETR4), uma estatal que de acordo com a publicação, teria sido capturada pelos interesses do governo do PT (Partido dos Trabalhadores), na presidência desde 2003. De acordo com o editorial, a presidente da estatal Maria das Graças Foster, tem tentado resgatar a companhia, mas já não sabe se terá condições de ser operadora monopolista no pré-sal e sócia cativa nos consórcios.

Na visão do jornal, a presidente já enfrentou resmungos de alas do PT ao dar um sincero balanço sobre a situação da empresa após a gestão de José Sergio Gabrielli, que havia sido ruinosa na visão do O Globo. O economista, filiado ao PT e tido como possível candidato a cargos públicos na Bahia, teria sido crucial no movimento para aparelhar a companhia por sindicatos. 

“A empresa foi capturada por fortes grupos de interesses, e o resultado disso vem sendo expresso por números dramáticos sobre a situação financeira da estatal”, afirma. Graça Foster, em sua prestação de contas, também referenciou outros grandes problemas da gestão de Gabrielli: metas irrealistas, atrasos em projetos e estimativas de custo estouradas. De acordo com o jornal, os gastos da empresa superaram em US$ 54 bilhões a sua própria geração de caixa de 2009 a 2012. 

Politicagem está destruindo a companhia?
O Globo alerta que a companhia tomou vários projetos com custos subestimados, investimentos de necessidade discutível e falhou em prover a manutenção necessária para equipamentos estratégicos. Além de contar com “uma lonha e deastrosa defasagem entre o preço interno de combustíveis e o custo de importação, mantida por Brasília”. 

A políticagem também atrapalhou ao tornar a estatal como um instrumento para servir os interesses políticos, deixando as boas práticas gerenciais de lado. “Daí o projeto de uma refinaria no Maranhão e outra em Pernambuco, esta em sociedade com a Venezuela de Hugo Chávez, sem que sequer um centavo de dólar o regime bolivariano tenha destinado ao empreendimento até agora”, diz o jornal.

O destino pode ser encontrar dificuldades enormes, não conseguindo cumprir seu plano de investindo, sobretudo se a companhia voltar a ter prejuízo, como no 2º trimestre de 2012 – o primeiro no vermelho desde 1999. “Nenhuma companhia resiste à mistura de gestão com política. Nem a PDVSA”, finaliza. 

A comparação com PDVSA pode ser tida como dolorosa para a Petrobras: desde que Hugo Chávez assumiu o poder, a quantidade de funcionários mais do que duplicou, enquanto a produção de petróleo caiu. A estatal brasileira ainda não mostra a ineficiência da estatal venezuelana, mas vale menos do que a petrolífera do governo colombiano, a Ecopetrol, tida como uma empresa mais eficiente.