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SÃO PAULO – A joint-venture entre a Shell e a Cosan (CSAN3) resultará em ganhos de sinergia de R$ 3,4 bilhões em dois anos, segundo teleconferência realizada nesta quarta-feira (2) pela nova empresa, formada a partir da parceria entre as duas companhias, a Raízen. “Os números são conservadores”, revela Vasco Dias, presidente da Raízen, pois ganhos com a união das operações ainda poderão ser obtidos após 2013.
Deste total, R$ 1,7 bilhão será proveniente da área de logística, distribuição e trading, R$ 1,4 bilhão em ganho comercial, R$ 400 milhões na área financeira e, aliado a isso, soma-se uma perda de R$ 100 milhões em conversão de postos, cuja previsão é que ocorra em até três anos.
Ganhos de sinergia
Quanto à área financeira, Vasco Dias aponta que está em discussão na empresa a possibilidade de refinanciamento da dívida. No entanto, destaca-se que o Conselho de Administração limitou a relação entre dívida liquida e Ebitda (geração operacional de caixa) a até duas vezes.
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Vasco Dias também destaca a participação de novas empresas de tecnologia da Shell – Iogen Energy e Codexis -, as quais acelerarão o desenvolvimento de etanol de segunda geração com foco no bagaço da cana de açúcar. Por fim, a área de distribuição será beneficiada pela consolidação, racionalização e pelo aumento da geração de caixa.
Assim, a expectativa é de que se crie uma empresa com “potencial de crescimento sem precedentes na produção de açúcar e etanol” e “um player global de distribuição”. Além disso, os diretores da Raízen destacaram que a companhia terá uma “infraestrutura invejável, com vantagem competitiva e potencial significativo de redução de custos”.
Guidance e plano de crescimento
Segundo o guidance apresentado pela empresa nesta quarta, a Raízen deverá fechar o ano fiscal de 2010 com um volume de 20,7 bilhões de litros, margem bruta de R$ 2,08 bilhões e Ebitda de R$ 685 milhões, valores esses que alcançarão a marca de 23,9 bilhões de litros, R$ 2,55 bilhões e R$ 1,22 bilhão, respectivamente, em dois anos. Além disso, os ganhos por metro cúbico passarão de R$ 33,00 para R$ 51,00, segundo as projeções.
Além disso, foi detalhado um plano de crescimento de cinco anos para a nova empresa – que prevê projetos de novas fábricas e aquisições – que será guiado por três drivers principais, segundo o CEO da Raízen. O primeiro deles será quanto ao crescimento na produção e comercialização de açúcar e etanol e de cogeração de energia.
Neste prazo, a moagem passará de 62 milhões de toneladas para 100 milhões, enquanto o açúcar e o etanol passarão de um volume de 4,0 milhões de toneladas e de 2,2 milhões de litros para 6,0 milhões e 5,0 milhões, respectivamente, ao passo que a capacidade instalada de cogeração aumentará dos 900 MW atuais para 1.300 MW.
Estratégia
Por fim, a estratégia da companhia contempla um mix de produtos equilibrado, pois a companhia nasce com o diesel e a gasolina respondendo por 41,8% e 28,5% do volume total de vendas, respectivamente, enquanto o combustível de aviação tem um peso de 11,7%.
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Quanto a este último – o qual possui as margens de mercado mais altas da indústria, afirma o CEO -, os diretores chamam a atenção para a proximidade de um boom no mercado de aviação, com a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 em foco, o que resultará em um ganho absoluto de volume através do desenvolvimento de aeroportos e pelo fluxo de turistas.