Itaú lucra R$ 6,4 bilhões, ações caem 4,5%: por que o mercado não gostou do resultado do banco?

Lucro foi em linha com o esperado, mas qualidade dos números não animou mercado; analistas, contudo, seguem positivos com o banco

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SÃO PAULO – Por mais um trimestre, o Itaú Unibanco (ITUB4) registrou números superlativos em seu resultado.

O maior banco privado do País teve um lucro líquido recorrente de R$ 6,419 bilhões no primeiro trimestre, alta de 3,9% na comparação com o mesmo período de 2017, ficando acima das projeções e com o dado sendo impulsionado pela queda nas PDDs (Provisões para devedores duvidosos) e uma maior receita com a cobrança de tarifas. Já a rentabilidade ficou em 22,2%, a maior entre os grandes bancos brasileiros. 

Contudo, mesmo com esses números, os papéis ITUB4 não param de cair, chegando a ter uma baixa de até 4,92% nesta quarta-feira (2) e fechando em queda de 4,5%, a R$ 48,70. Além do dia de aversão ao risco do mercado por conta da divulgação de importantes dados nos Estados Unidos, quando se olha em detalhe para o balanço, é possível ver alguns pontos que desanimaram o mercado. 

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De acordo com o BTG Pactual, os números do primeiro trimestre foram praticamente em linha com o esperado pelo mercado e pouco inspiradores, com a qualidade dos lucros não sendo tão forte quanto dos anos anteriores e ajudados pelos ganhos em Tesouraria. 

O Credit Suisse também apontou que os números que a companhia apresentou foram entre neutros e marginalmente negativos. Apesar do lucro líquido ter vindo em linha com o consenso, os analistas do banco suíço também  destacaram que o forte resultado da tesouraria de R$ 1,7 bilhão, com alta de 21,4% na comparação trimestral, compensou a queda da margem financeira e a baixa cobertura do novo NPL (non performing loan, ou empréstimos duvidosos com baixa probabilidade de serem pagos).

O banco reportou uma formação de NPL de R$ 5 bilhões, a maior desde o quarto trimestre de 2016, reflexo da deterioração no portfólio de varejo e uma piora na qualidade de credito das operações da América Latina.

Apesar disso, os analistas do Credit não acreditam que a projeção do ano de lucro de R$ 26.8 bilhões esteja em risco já que as despesas de provisão e a qualidade dos ativos devem melhorar ao longo de 2018. “Reforçamos o nosso outperform [desempenho acima da média do mercado], mas preferimos Santander Brasil (SANB11) e Bradesco (BBDC4) entre os bancos brasileiros”, apontaram. 

Analistas de mercado também ressaltaram, do lado negativo, a queda no resultado da operação de seguros, previdência e capitalização de 6,4% contra o fechamento de 2017, ficando em linha com o apresentado há um ano. A carteira de crédito do banco, por sua vez, caiu tanto na comparação com trimestral quanto na anual.  

Já para o Bank of America Merrill Lynch, o resultado do primeiro trimestre não trouxe muitas surpresas e a expectativa é de que a geração de receitas – e crescimento do lucro – deva acelerar conforme a economia ganhe tração. Outro ponto destacado é a perspectiva de um bom pagamento de dividendos em 2018, com a perspectiva de um dividend yield (dividendo em relação ao preço da ação) de 6,1%.

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Assim, apesar da queda após o balanço, os analistas seguem otimistas com o setor. O BTG, por exemplo, destacou que segue gostando da qualidade dos ativos do Itaú e o mantém como top pick do setor. Mesmo com os números não animando tanto, a visão “estrutural” é positiva sobre o banco. 

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.