Bancos

Itaú concedeu R$ 10 bi em crédito e prorrogou R$ 43 bi a quase 2 milhões de clientes na pandemia

Banco garante que vai aderir a mais programas anunciados pelo governo e que 18 milhões de clientes estão elegíveis às soluções de crédito em meio à crise

Aplicativo do Itaú em primeiro plano; no segundo plano uma agência do banco

SÃO PAULO – O Itaú Unibanco (ITUB4) detalhou nesta terça-feira (16) o Programa Travessia, criado para auxiliar os clientes a enfrentar a crise econômica gerada pela chegada da pandemia de coronavírus.

Desde o início de abril, cerca de 1,8 milhão de pessoas físicas participaram do programa, sendo R$ 30,5 bilhões com o alongamento de dívidas e R$ 5,6 bilhões em novos créditos. No caso das pequenas e médias empresas, foram mais de 158 mil participantes, com R$ 12,5 bilhões em volume de alongamentos e R$ 4,6 bilhões em empréstimos.

Na prática, o programa foi estruturado para atender praticamente toda a base de 20 milhões de clientes do banco. São 18 milhões de clientes elegíveis ao programa, segundo critérios internos adotados pelo banco. Desses, 8 milhões são clientes que podem receber novos créditos; 3 milhões estão inadimplentes e podem participar por meio da renegociação de dívidas e flexibilização das condições de crédito; e 7 milhões continuam com acesso ao crédito nas mesmas condições que tinham antes da crise.

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No total, são cerca de R$ 150 bilhões de estoque de crédito, sendo que R$ 53,2 bilhões já foram disponibilizados para clientes – desse total, R$ 43,2 bilhões são de alongamento de prazos e R$ 10 bilhões de concessão de crédito novo.

André Rodrigues, diretor-executivo do banco de varejo do Itaú, afirma que o programa oferece quatro principais condições para os clientes: carência de até 120 dias no pagamento de pessoas físicas e até 180 dias para empresas; alongamento de prazos de até 6 anos para PF e de 5 anos para PMEs; novas condições de taxas; e flexibilização e liberação de garantias.

“Gerenciamos essas variáveis para que as soluções para diferentes perfis de clientes fossem sustentáveis no médio e longo prazo”, diz Rodrigues.

Ele acrescentou que o programa não vai exigir valores além do orçamento disponível para ser executado. “Estamos vivendo o desenrolar do programa e vamos fazer uma checagem para ver o que foi feito e se os clientes estão conseguindo se adaptar às soluções propostas. Se houver necessidade de provisionamento adicional vamos considerar. Mas por enquanto não há previsão para isso”, diz.

Vale lembrar que no primeiro trimestre o banco aumentou em mais de R$ 7 bilhões as provisões de gastos, reserva contra inadimplência mantida pelas instituições.

Taxas e acesso ao crédito

PF 

O diretor do banco de varejo do Itaú não informou a taxa média praticada pelo banco nesse período de crise, mas disse que a premissa de cobrança é que nenhum cliente terá uma taxa maior do que a oferecida pré-pandemia. E não informou o parâmetro para novos clientes.

“Em nenhuma situação houve aumento de taxa para pessoas físicas. Para muitos clientes reduzimos a taxa para que a parcela do financiamento caiba no bolso e, a depender da solução do cliente, adequamos a taxa”, complementou Flávio Iglesias, diretor de produtos PF.

Rodrigues acrescentou que o banco está atento às novas soluções que surgiram em meio à pandemia, mas acredita que é importante oferecer um atendimento personalizado porque “crédito na crise é como um remédio: na dose certa funciona bem, mas na dose errada pode virar mais dívida”.

PME

Apesar de muitas PMEs alegarem que estão com dificuldades de conseguir acesso ao crédito concedido pelos bancos privados ou pelo governo devido às rígidas garantias exigidas, Rodrigues afirma que toda a base de clientes do Itaú foi informada das soluções disponíveis.

“Dar o acesso e disponibilizar nem sempre é uma trajetória simples, mas estamos tentando oferecer boas condições e as ofertas chegaram a 100% da base de clientes [empresas]. Clientes que já vinham com dificuldade de pagamento têm condições diferentes, mas estamos oferecendo renegociações e flexibilizações que não tínhamos antes da crise”, diz Rodrigues.

Carlos Eduardo Peyser, diretor de franquias e estratégia PJ do Itaú, disse que o banco repassa integralmente a queda da Selic para as linhas de crédito para empresas, e que a assessoria do banco oferece produtos de acordo com situação de cada cliente. “Tentamos adequar o produto ao cliente para que ele tenha acesso à melhor solução com o menor custo possível”, diz.

Carlos Vanzo, diretor-executivo comercial do banco de varejo do Itaú, garantiu ainda que o banco vai aderir a mais programas anunciados pelo governo. “Estamos organizando os detalhes para oferecer as condições para o Pronampe. Quanto ao FGI, também estamos estudando as opções e definindo os pontos para aderir ao programa e passar a oferecê-lo”, diz.

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O Pronampe é um programa que foi criado pelo governo durante a pandemia para levar crédito a pequenas empresas. O FGI, por outro lado, já existia antes da pandemia. Ele financia pequenas empresas por meio do BNDES e o governo afirmou recentemente que vai elevar os aportes direcionados ao programa.

Após finalizar os ajustes operacionais necessários, o banco deve lançar as novas linhas de financiamento nos próximos dias, segundo Rodrigues.

Estratégia

Antes do início da pandemia, o Itaú já estava trabalhando em uma revisão estratégica do negócio de varejo, mas direcionou mais esforços para enfrentar a crise. “Definimos três pilares essenciais para este momento: cuidar das pessoas, preservar o funcionamento da estrutura de atendimento do banco e apoiar os nossos clientes. E assim nasceu o Programa Travessia”, diz Rodrigues.

Ele ressalta que o programa é o guarda-chuva do banco neste momento de crise e por meio dele a instituição vai agilizar a oferta de crédito e soluções para os clientes. “A aceleração da digitalização também é uma chave importante agora. Triplicamos a abertura de contas online. A expectativa é de que cerca de 3 milhões de novos clientes abram a conta digital neste ano. Já passamos por muitas crises e, além do programa, os atributos de solidez, credibilidade e digitalização do banco nos fornecem estrutura para atravessar mais esta”, afirma o executivo.

Segundo ele, o banco focou na preservação da área de atendimento ao cliente. “Temos pessoas engajadas para garantir o funcionamento de agências físicas [com níveis de regras de distanciamento], agências digitais e autoatendimento com quase 100% desse suporte sendo feito pelo home office. Chegamos a 1,5 milhão de novos clientes acessando o autoatendimento desde que a crise começou”, finaliza Rodrigues.

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