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Investidor que operou vendido em Petrobras hoje ganhou 7% em 5 horas

Petrobras tem sessão extremamente volátil nesta segunda-feira entre balanço do primeiro trimestre e exercício de opções sobre ações

(Bloomberg)
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SÃO PAULO – Volatilidade tem marcado a vida das ações da Petrobras (PETR3; PETR4) na Bolsa. Hoje não poderia ser diferente, com vencimento de opções e pós-balanço do primeiro trimestre da estatal. A ação abriu com alta de mais de 4%, batendo R$ 14,65, no caso da preferencial, no maior patamar do dia. Depois disso, os papéis foram perdendo força até virar para o negativo nesta tarde. Às 15h38 (horário de Brasília), eles caíam 3,34%, a R$ 13,59. Já as ações ordinárias chegaram a subir 4,58% na máxima desse pregão, mas operam agora com queda de 4,05%, a R$ 14,44. 

Tamanha amplitude proporcionou um bom ganho para quem soube operar o papel hoje: o investidor que, por exemplo, vendeu um lote (ou 100 ações) de PETR4, a R$ 14,65 (na máxima do dia), e comprou a ação por volta das 15h30, a R$ 13,59, embolsou um lucro de R$ 106, sem considerar os custos com a operação. Um ganho de cerca de 7%. 

Tal oscilação ocorreu, primeiramente, pelo otimismo gerado pelo balanço da estatal, que já na noite de sexta-feira dava sinais do que esperar para a abertura da Bovespa hoje, com os ADRs (American Depositary Receipts) tendo subido 4% no after market da Bolsa de Nova York. Os primeiros minutos de negociação da Bolsa é o momento de euforia do investidor pessoa física, animados com o lucro líquido acima das expectativas e institucionais com o Ebtida (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também mais alto, comentou o analista independente Flávio Conde, que já antecipava um movimento desse tipo antes da abertura da Bovespa. 

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Passada essa euforia, no entanto, os investidores começaram a se dar conta da real situação da companhia, com o endividamento ainda bastante preocupante, o que leva a um cenário de maior cautela em relação ao futuro da companhia.

“Olhando para o futuro, a combinação de anúncio do plano estratégico 2015-2019 provavelmente sem brilho em junho, os preços atuais do petróleo elevados e real mais fraco que podem impactar negativamente o downstream (parte logística, transporte dos produtos da refinaria até os locais de consumo) no segundo trimestre, a potencial emissão de debênture desafiaria esforços de desalavancagem e múltiplos ricos sustentam nossa visão fundamental continuadamente cautelosa sobre a ação”, escreveram os analistas Christian Audid e Gustavo Allevato, do Santander. Ainda hoje, o Goldman Sachs cortou a recomendação da estatal para venda, prevendo um preço do petróleo mais baixo para os próximos anos. O banco também revisou para baixo o preço-alvo dos papéis para os próximos 12 meses. 

Pontos que vão em linha com um olhar bastante pessimista sobre o futuro. “As contas não fecham, mesmo em um trimestre que parecia que todos os astros estavam alinhados”, escreveu a casa de research Empiricus. Isso porque a geração de caixa operacional de R$ 21,5 bilhões, novamente, não foi suficiente para fazer frente aos investimentos (o capex de R$ 17,8 bihões) mais o resultado financeiro (negativo de R$ 5,6 bilhões), que, juntos, somam R$ 23,4 bilhões. Resultado insuficiente mesmo em um trimestre que já aparecem os esforços da redução de investimentos da companhia, comentaram os analistas.

“Cereja do bolo”

Com tudo isso na conta e mais o vencimento de opções, a reação das ações da estatal hoje não poderia ter sido outra a não ser de muita volatilidade. 

Divulgado nesta tarde, a BM&FBovespa mostrou que o exercício de opções sobre ações movimentou R$ 2,92 bilhões hoje, com destaque para Petrobras. Das cinco opções que mais movimentaram, as três primeiras foram exercícios de opções de compra referentes às ações preferenciais da Petrobras.

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À grosso modo, o investidor que exerceu sua opção de compra de Petrobras foi à mercado, comprou a ação ao preço do exercício para, posteriormente, vendê-la e embolsar o lucro. No exemplo da opção de Petrobras PN com preço de exercício a R$ 14,00 (a mais negociada no mês de maio), o investidor comprou no mercado a R$ 14,00 e se já vendeu no primeiro minuto de pregão, por cerca de R$ 14,60, lucrou 4,29%, sem considerar os custos com a operação. E exatamente todo esse movimento de “compra” e, posterior, “venda” ajudou a provocar grande parte da volatilidade vista com os papéis da estatal nesta sessão.