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*por Cedro Technologies, departamento de Insights Capital Markets
Os problemas são enormes, proporcionais ao tamanho da companhia. Mas nem sempre foi ruim. Em 2010 e 2011, a Eletrobras (ELET3; ELET6) apresentou lucro considerável: R$ 2,5 bilhões e R$ 3,7 bilhões, respectivamente. De lá para cá, no entanto, a empresa se afundou em severas dificuldades.
Tudo começou quando o governo resolveu, em 2012, por meio da MP 579, reduzir as tarifas de energia elétrica em 20% na média como contrapartida para renovar as concessões até 2017. Os efeitos vieram rápidos e, naquele ano, a companhia registrou o maior prejuízo de sua história: R$ 6,9 bilhões em 2012.
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Só no 4º trimestre de 2012, o prejuízo foi de R$ 10,5 bilhões, refletindo a maior perda trimestral entre todas as empresas de capital aberto para um único trimestre.
Enquanto o crescimento de qualquer negócio em geral acontece com passos de tartarugas, os problemas vêm a galope. E com a Eletrobras, não foi diferente.
Desde 2012, a situação da Eletrobras apenas se deteriorou. Competitividade do setor, problemas em contratos e reestruturações internas implodiram. Só um programa de incentivo a demissões em 2013 custou a companhia mais de R$ 1,7 bilhão, atingindo mais de 4200 colaboradores.
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E as notícias ruins continuaram. Em 2013, a empresa anunciou prejuízo de R$ 6,2 bilhões. No ano seguinte, foram R$ 3,03 bilhões no vermelho.
Se não bastassem todas as dificuldades já conhecidas pela Eletrobras, mais uma vez o cenário político e a corrupção aprofundaram as crises. Alvo da operação Lava Jato, a empresa teve que interromper projetos como o de Angra 3. Com as obras suspensas desde setembro de 2015, isso representou perdas de quase R$ 5 bilhões, levando a um novo prejuízo recorde anual: R$ 14,4 bilhões em 2015.
O auge da crise chegou agora em 18 de maio, quando as ações da companhia foram suspensas na Bolsa de Nova York. O motivo? A companhia perdeu os prazos para apresentar as informações financeiras e operacionais auditadas da empresa, conforme formulário 20-F. Não por falta dos balanços, números ou dados, mas porque a empresa que audita os balanços se recusa a assiná-los, por não conseguir mensurar com exatidão os danos causados à estatal por irregularidades até então investigadas na operação Lava Jato.
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No dia seguinte, as ações preferenciais negociadas na bolsa brasileira fecharam a R$ 11,65 por ação, representando uma queda de mais de 35% desde 2012.
Ações da ELET6 em 2012 sendo negociadas por R$ 17,99 em relação ao fechamento do mercado em 19 de maio de 2016, quando chegaram a custar R$ 11,65 por ação. A mínima foi em 19 de novembro de 2012, no valor de R$ 5,14, refletindo os impactos da MP 579.
Eletrobras apresenta números deficitários desde 2012. O EBITDA, que demonstra o quanto a empresa gera de recursos através de suas atividades operacionais, apresentou números negativos de 2012 a 2015.
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Eletrobras apresenta prejuízos bilionários desde 2012; empresa é afetada por diversos problemas.
O quadro acima mostra alguns dos principais dados financeiros da empresa de 2010 a 2015.
Embora a companhia ainda apresente patrimônio líquido positivo, o cenário futuro é de baixíssima visibilidade. Governo e companhia buscam agora remediar os problemas.
O gráfico com os valores das ações da Eletrobras mostrado nesta matéria foi tirado a partir da Fast Trade, plataforma de negociação da Cedro Technologies.