Impulso às ações ON da Usiminas tem limite, alerta o Barclays

Spread elevado em relação às PN torna trade "assimétrico", com riscos majoritariamente no downside, diz analista

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SÃO PAULO – Um spread acima de 50% entre a cotação das ações ordinárias e preferenciais da Usiminas (USIM3, USIM5) configura um trade assimétrico, com predominância dos riscos no campo negativo, aponta o analista do equity research do Barclays Capital, Leonardo Correa.

No fechamento da última sessão, as ações ordinárias estavam cotadas a R$ 28,30, ao passo que as preferenciais registravam a marca de R$ 18,80, isso é, uma diferença de 50,53%.

Desde janeiro deste ano, os papéis ordinários da companhia passaram de uma cotação 15% maior que o das preferenciais para 50%. Este movimento é caracterizado pelas expectativas de que haja uma alternância no controle da Usiminas e pelo surgimento de um grande comprador – a CSN (CSNA3) sinalizou para o desejo de elevar a participação na empresa – destes papéis, argumenta Correa em relatório.

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Obstáculos para a CSN
No entanto, o analista afirma ser provável que a Nippon Steel – grupo com maior participação das ações ordinárias da Usiminas – exerça o direito para inicialmente rejeitar a venda da totalidade das ações de um dos controladores.

Além disso, a improbabilidade da siderúrgica entrar no bloco de controle da Usiminas é exacerbado pelo fato de que a Votorantim e a Camargo Corrêa tentariam impedir tal operação, de modo a proteger a participação no mercado de cimentos.

Quanto à possibilidade de a CSN eleger um membro no conselho da Usiminas – uma vez que a lei brasileira prevê que qualquer acionista com mais de 10% de participação acionária indique um membro – este feito seria pouco relevante para o valor estratégico, já que não resultaria em poder controlador.

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Preferenciais em alta
Mas Correa chama a atenção para a elevação do percentual de posições vendidas em ações ON (short interest), apesar de seu desempenho pior que o das ordinárias. “Em nossa visão, isso indica que alguns investidores já estão começando a negociar com um trade relativo (long em ações preferenciais e short em ordinárias), o que nós acreditamos fazer sentido”, explica.

Além disso, o analista destaca a liquidez “significativamente maior” dos papéis dos papéis preferenciais, o que sinaliza que as compras da Usiminas são muito mais relevantes nas ações com direito a voto. “É importante notar que as pressões compradoras nas ações ordinárias não continuarão incessantemente”, alerta.

Diferenças entre ações
Por fim, o responsável pelo relatório do Barclays destaca as diferenças entre as classes de ações, revelando que os papéis preferenciais têm direito a dividendos 10% maiores que o pago aos ordinários, enquanto os direitos de tag-along somente são concedidos aos acionistas minoritários dos papéis ordinários, com uma relação de 80% sobre o valor pago aos acionistas controladores.