HSBC reduz preço-alvo do Bradesco, com mais despesas e margens pressionadas

Ações preferenciais do banco continuam com recomendação "neutra", após rebaixamento da previsões de lucro

Publicidade

SÃO PAULO – Depois de apresentar um resultado abaixo das expectativas para o quarto trimestre de 2011, o Bradesco (BBDC4) teve o preço-alvo de suas ações preferenciais rebaixado pelo HSBC, de R$ 36 para R$ 35. Agora, o potencial teórico de valorização é de 10,24% frente à cotação de 3 de fevereiro. A recomendação foi mantida em “neutra”.

Os analistas Victor Galliano e Mariel Santiago temem, basicamente, a depreciação de dois indicadores financeiros do banco. O primeiro é a margem operacional, que, em relação à intermediação financeira, deve ser mais comprimida do que o esperado anteriormente. Isso porque as despesas operacionais continuarão subindo, segundo a corretora, por conta de investimentos em tecnologia da informação e pela abertura de 70 novas agências em 2012.

Essa alta nos custos vai contrastar com a estimativa de desaceleração do crédito concedido, e também pelo retorno menor em patrimônio líquido. O HSBC prevê em 19,9% essa rentabilidade, após a instituição fechar o quarto trimestre com 19,84%. Assim, as projeções de lucro para este e o próximo ano caem a R$ 11,85 bilhões e R$ 12,53 bilhões, respectivamente, cortes em 0,4% e 2,4%.

Continua depois da publicidade

Inadimplência em alta
O próprio Bradesco já afirmou que a inadimplência deve continuar subindo durante o primeiro semestre. Galliano e Santiago veem o índice em 6% no fim de 2012, 0,1 ponto percentual acima do ano anterior. No entanto, 55% da carteira de crédito vencem em, no máximo, 12 meses, o que traria uma reprecificação dos juros para a taxa Selic, que encontra-se em baixa – atualmente, em 10,5% ao ano.

Assim, a possibilidade de clientes não arcarem com suas obrigações de dívida deve diminuir, com o custo desses empréstimos caindo. Mas é exatamente essa redução dos juros ao consumidor que pode pressionar o resultado do banco durante o ano, trazendo menores receitas de intermediação financeira. Com essa análise, a corretora se mostra mais pessimista do que a média de projeções – para 2013, por exemplo, aguarda um lucro líquido 10,9% menor do que o consenso.