HSBC rebaixa preço-alvo da Marfrig e corta estimativas para 2010 e 2011

Mesmo avaliando positivamente aquisição da Keystone, banco destaca alta em despesas com juros de debêntures

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SÃO PAULO – O HSBC rebaixou seu preço-alvo para os papéis da Marfrig (MRFG3), que passou de R$ 28,00 para R$ 21,00 em 12 meses. O banco também promoveu um corte em suas estimativas para a companhia neste e no próximo ano, preocupado, entre outras coisas, com as maiores despesas com juros das debêntures emitidas para a aquisição da Keystone.

“Estamos diminuindo drasticamente nossas estimativas de lucro líquido para 2010 e 2011. (…) Também ajustamos nossas expectativas de margem nas operações existentes da Marfrig em virtude do ambiente de maiores custos”, destacaram os analistas Pedro Herrera e Diego Maia. A nova projeção para os ganhos da empresa neste ano é de R$ 317 milhões (frente aos R$ 469 milhões estimados anteriormente ) e R$ 390 milhões em 2011 (em comparação aos R$ 687 milhões da estimativa anterior). 

Apesar do corte nas expectativas financeiras para a companhia, o HSBC se mostrou positivo em relação à aquisição da Keystone pela Marfrig. Para Herrera e Maia, a compra deste novo ativo reforça a análise do banco de que a companhia seja uma boa aposta de crescimento sólido no longo prazo. Por este motivo, o HSBC manteve sua recomendação overweight aos papéis da Marfrig.

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Keystone
“A aquisição da Keystone adiciona fluxos de caixa estáveis através de sua grande exposição ao McDonald’s, ao passo que é beneficiada por uma taxa de crescimento médio anual da receita do McDonald’s de 8%”, argumentam os analistas do HSBC.

Além disso, Herrera e Maia destacam que o modelo de negócios da Keystone está bem alinhado com a estratégia da Marfrig de diversificação geográfica e de proteínas. Neste sentido, o banco ressalta que a escala e estabilidade dos fluxos de caixa da companhia adquirida devem contribuir para a taxa de crescimento média anual do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Marfrig em 14% nos próximos três anos.

Diluição e pressões de preço
Entretanto, os analistas também veem uma diluição dos acionistas minoritários como resultado da aquisição. “Acreditamos que o BNDES subscreveu a maior parte das debêntures de R$2,5 bilhões emitidas para financiar a Keystone. Nossos cálculos sugerem que os acionistas minoritários podem ser diluídos entre 16% e 23% após a conversão em julho de 2015, ao passo que as debêntures aumentam o custo da dívida da Marfrig em aproximadamente 90 pontos-base (cerca de R$300 milhões por ano em despesas com juros)”, explicam.

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Além disso, os preços do gado e dos grãos ficaram sob pressão recentemente, com os preços do gado atingindo altas históricas. “Apesar de o setor estar passando por desafios significativos de curto prazo, acreditamos que a maior parte dos fatores negativos é atualmente refletida na avaliação da Marfrig”, aponta a dupla de análise.

Ebitda e receita
“Para 2011, estimamos que a receita líquida consolidada da Marfrig atinja R$ 28,5 bilhões, com a maior parte do crescimento proveniente da consolidação da Keystone. (…) Esperamos Ebitda consolidado  de R$ 1,8 bilhão em 2011 e uma margem Ebitda (relação percentual entre receita líquida e geração operacional de caixa) de 6,4%”, destacaram os analistas. Para este ano, as projeções de receita líquida e Ebitda são de R$ 17,26 bilhões e R$ 1,14 bilhão.