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Amazon e Walmart: inimigas se unem por um bem maior na Índia

Entre outras coisas, as gigantes do varejo estão pedindo uma prorrogação do prazo até 1º de fevereiro para implementar novas regras na Índia

carrinhos de compras do Walmart - supermercados
(John Gress/Reuters)

(Bloomberg) -- A Amazon e o Walmart estão pela primeira vez do mesmo lado.

Concorrentes ferrenhas, as empresas uniram forças na Índia para pressionar o governo devido a regulações que ameaçam prejudicar suas ambições de expansão. Entre outras coisas, as gigantes do varejo estão pedindo uma prorrogação do prazo até 1º de fevereiro para implementar essas regras, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

As novas regulações mais rigorosas ameaçam atormentar a Amazon e a Flipkart, do Walmart, em uma das arenas do comércio eletrônico que mais crescem no mundo, onde ambas investiram bilhões de dólares.

Elas exigem que os mercados on-line tratem todos os fornecedores igualmente, impedindo, efetivamente, que empresas estrangeiras exibam produtos exclusivos em suas plataformas, possuam estoque e, portanto, possam influenciar os preços e oferecer grandes descontos.

Além disso, a Amazon e a Flipkart conseguem boa parte de seu estoque na Índia por meio de empresas que possuem ou apoiam, e essas mercadorias são vendidas diretamente ou por meio de empresas vendedoras preferenciais. Um delas é a Cloudtail, de propriedade de uma joint venture entre a Amazon e uma empresa administrada pelo bilionário cofundador da Infosys Narayana Murthy.

Segundo as regras, as duas empresas americanas precisam vender qualquer participação que detenham em empresas do tipo.

“Elas estão fazendo campanha juntas contra as novas regras porque essas empresas têm mais de US$ 20 bilhões em jogo no mercado indiano”, disse Satish Meena, analista de projeções da Forrester Research em Nova Délhi. “Haverá pelo menos mais US$ 10 bilhões em investimentos dessas duas empresas nos próximos anos e este é o trunfo que elas estão tentando usar.”

O Economic Times foi o primeiro a noticiar o lobby para prorrogar o prazo de 1 de fevereiro.

O Walmart investiu US$ 16 bilhões no ano passado na aquisição da Flipkart Online Services, e a Amazon tem investido em empresas de varejo físico como a Shopper’s Stop e está discutindo investimentos na Future Retail.

A Amazon afirmou nesta sexta-feira que está avaliando as novas diretrizes e que envolverá o governo quando houver necessidade, sem abordar a questão do lobby conjunto. A Flipkart não respondeu os e-mails com solicitação de comentário.

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As regulações foram anunciadas na semana passada, alguns meses antes das eleições nacionais, quando o governo precisará do apoio do enorme grupo de pequenas empresas de varejo afetadas pelo crescimento do comércio online e de outras iniciativas do governo. Essas mesmas empresas de varejo acusaram a Amazon e a Flipkart de práticas predatórias no passado.

A situação da Amazon e do Walmart, contudo, não é tão ruim. O Departamento de Políticas e Promoção Industrial do governo esclareceu na quinta-feira que a política atual não impede a venda de marcas privadas no mercado, o que significa que Amazon e Flipkart ainda podem comercializar seus próprios produtos em categorias como moda e produtos eletrônicos.

 

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