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Além da Apple: 14 empresas que já estão sofrendo com a guerra comercial entre EUA e China

Se engana quem acredita que só a Apple está sendo afetada. Diversos setores já começam a sentir os impactos da tensão comercial  

Tim Cook e Elon Musk
(Reprodução)

SÃO PAULO -  A guerra comercial entre EUA e China está impactando diversas empresas norte-americanas. A notícia de que a Apple perdeu R$ 70 bilhões em valor de mercado após estimar receita mais fraca neste trimestre será mais fraca abalou o mercado. Às 16h50 (horário de Brasília) as ações da dona do iPhone despencavam 9,07%.

O CEO da empresa, Tim Cook, fez um corte na previsão de receita da empresa nesta quarta-feira (2), culpando a China pela queda das vendas e mencionando a guerra comercial que cobrou altas tarifas nos últimos meses em centenas de produtos e commodities comercializados entre os EUA e a Ásia. Mas se engana quem acredita que só a Apple está sendo afetada. Diversos setores já começam a sentir os impactos da tensão comercial.

O alerta da Apple reforçou várias preocupações dos investidores. Primeiro, sugere que os analistas podiam estar otimistas demais em relação aos ganhos das empresas no desafiador ambiente global. Depois, o ambiente corporativo teme que a desaceleração da segunda maior economia do mundo já esteja prejudicando as empresas multinacionais, segundo o time de analistas do UBS em relatório.  

"As tensões comerciais entre os EUA e a China podem ter um impacto cada vez maior nas empresas de ambas as nações", diz o documento. Empresas com ações expostas ao mercado chinês já demonstraram quedas no pregão desta quinta, entre elas, Boeing, Tiffany, Deere e Qualcomm.

Além disso, papéis de marcas de luxo como LVMH, que possui marcas como Fendi e Louis Vuitton, caíam 3,76% no mesmo horário. Montadoras como a Ford e Volkswagen também sentiram os impactos da notícia. 

Veja outras 14 empresas que já estão sendo afetadas pela guerra comercial: 

Tecnologia

Para além da Apple, outras empresas de tecnologia também sentem os impactos.

A empresa de chips Qualcomm também apresentou queda nas ações durante o pregão desta quinta-feira (3). Às 17h50 (horário de Brasília) as ações caíam 2,70%.

O CEO da HP, Dion Weisler, afirmou a investidores em novembro que a China era um "mercado estrategicamente importante" para a companhia. “Obviamente continuamos a avaliar a situação e o impacto potencial em nossos negócios e nossos planos que podemos ou não precisar fazer como resultado - mas não estamos procurando fantasmas, ao mesmo tempo que estamos atentos”, disse ele sobre a guerra comercial. As ações da empresa caíam 3,25%, às 17h50 (horário de Brasília).

O CFO da Intel e o CEO interino Bob Swan afirmaram na última teleconferência de resultados que a China é um grande mercado" para a empresa, acrescentando que a companhia estava trabalhando com clientes e fornecedores para se adaptar a quaisquer novas tarifas. No pregão de hoje, as ações da Intel caíam 4,60%.

Aviação

O clima do setor parecia otimista. Em setembro, a Boeing, maior fabricante de aviões comerciais do mundo, elevou sua estimativa para o número de aviões que a China precisaria até  2037 em 6%, para quase 7.700 aviões que valem cerca de US $ 1,2 trilhão. A fabricante também apresenta quedas no pregão desta quinta-feira com queda de 3,85% às 17h50.

Luxo

O mercado de luxo é forte na China, e os gastos do consumidor no setor foram altos no primeiro semestre de 2018, apesar de uma economia mais lenta. Mas, como as grandes empresas de moda europeias ainda não divulgaram resultados do segundo semestre, os  investidores estão preocupados de olho em algumas possíveis surpresas desagradáveis.

Se os consumidores chineses não estão dispostos a gastar muito em um novo iPhone, seguindo a lógica, também podem suspender as compras de artigos de luxo.

As ações da Tiffany caíram 9,6% em 28 de novembro, após o lançamento de vendas decepcionantes no terceiro trimestre, prejudicadas pelos gastos mais fracos de turistas chineses nos Estados Unidos e em Hong Kong. Os ganhos da joalheria de luxo estavam em linha com as estimativas, mas a receita de US$ 1,01 bilhão estava abaixo do esperado pelos analistas que era de US$ 1,05 bilhão. No pregão desta quinta-feira (3), as ações caíam 2,20% às 17h50.

A holding francesa LVMH, que detém marcas como Fendi e Louis Vuitton, caía 3,70% no mesmo horário. A Burberry sentiu fortemente os impactos com queda de 5,91% no pregão desta quinta-feira (3). A Gucci Kering também caía ainda mais forte alcançando 5,3% no terreno negativo.

A marca de relógios suíça Swatch caía 3,5% também sentindo os efeitos da guerra comercial.   

Alimentos e bebidas

O custo de um café na Starbucks é substancialmente menor que o de um novo iPhone, mas é improvável que a maior rede de cafeterias dos EUA escape da desaceleração econômica chinesa. A empresa tem um ambicioso plano de expansão para a China, o segundo maior mercado da Starbucks depois do país sede, mas as vendas estão diminuindo.

A empresa de café é considerada uma marca de luxo na China, segundo um analista da empresa de serviços financeiros Wedbush que cobre o setor. Isso torna a Starbucks vulnerável se os consumidores decidirem reduzir os gastos por causa da crise econômica.

O problema é ampliado porque a empresa sediada em Seattle também enfrenta uma crescente concorrência de players locais, como a Luckin Coffee, que vem aumentando rapidamente o número de lojas e vende café muito mais barato. As ações da companhia caíam 3,80% às 17h50 (horário de Brasília).

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Montadoras 

A China tem sido uma fonte de sucesso de vendas para grandes montadoras há anos, já que o rápido crescimento econômico possibilitou que milhões de consumidores comprassem um carro.

Para a General Motors e Volkswagen, por exemplo, a China gera mais receita do que os Estados Unidos ou Europa. "O mercado da China é extremamente importante para todas as montadoras", disse Tu Le, fundador da consultoria de serviços financeiros Sino Auto Insights, de Pequim.

Mas tanto a GM, como a Volkswagen, e, ainda, empresas como a Ford reportaram queda nas vendas no ano passado e suas vendas no China foram diminuindo à medida que a economia perdeu força - possíveis resultados da guerra comercial.

A Tesla também está no grupo de montadoras ocidentais mais vulneráveis à desaceleração da China. Especialistas acham que as coisas podem piorar ainda mais, apesar dos recentes movimentos de Pequim para reduzir as tarifas sobre as importações de automóveis dos EUA no final do ano passado. "Recuperar o ímpeto em direção ao crescimento será muito desafiador nos próximos dois anos, se a economia geral continuar fraca", disse Le.

Os papéis das quatro fabricantes caíam às 17h40. Com baixas de 3,43% nas ações da General Motors, de 1,10% nos papéis da Volkswagen, de 2,72% no caso da Tesla, e de 2,24% para a Ford.

 

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