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Apocalipse no varejo europeu vai das lojas ao e-commerce

Se não houver melhora em dezembro, o setor pode ser obrigado a fazer novos alertas sobre os resultados em 2019 ou algo pior

Compra online
(mtkang)

(Bloomberg) -- A crise no varejo europeu se espalhou das lojas físicas para o e-commerce. A Asos avisou que a temporada de compras de Natal começou desastrosa e suas ações sofreram a maior queda em quatro anos e meio.

A varejista online sediada no Reino Unido, que concorre com a Amazon.com e veste gente como Meghan Markle, mostrou fraqueza generalizada no comércio logo antes das festas de fim de ano. Na semana passada, o presidente da Sports Direct International, Mike Ashley, admitiu que as vendas foram “inacreditavelmente ruins” em novembro. As ações desabaram.

Nesta segunda-feira, os papéis da Asos chegaram a cair 43 por cento em Londres, eliminando mais de 1,4 bilhão de libras esterlinas (US$ 1,8 bilhão) em valor de mercado. A notícia derrubou ações de outras varejistas online, como Boohoo Group e Zalando, e operadoras de lojas, como Marks & Spencer Group e Next.

“Isso não estava no script”, disse Stephen Lienert, analista de crédito da Jefferies. “Pensava-se que as lojas físicas estão morrendo e que o futuro é online, mas essa narrativa foi destruída hoje.”

A Asos revisou para baixo a previsão de crescimento da receita anual devido a uma “deterioração significativa” em novembro, citando liquidações, incertezas sobre a economia e a baixa confiança do consumidor em meio à saga da saída do Reino Unido da União Europeia. A notícia mostra que as varejistas não podem esperar que as operações online compensem a queda das vendas nas lojas neste ano. Se não houver melhora em dezembro, o setor pode ser obrigado a fazer novos alertas sobre os resultados em 2019 ou algo pior.

Debenhams e Marks & Spencer passam por reestruturações e estão particularmente vulneráveis. Os centros comerciais britânicos já foram dizimados por enormes problemas, como a insolvência da rede de lojas de departamentos House of Fraser, resgatada pela Ashley neste ano.

Quem detém dívidas de varejistas também se preocupa. A Debenhams fez uma emissão de 200 milhões de libras em títulos com vencimento em julho de 2021 e os títulos estão no menor valor desde a colocação, em 2014, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

A Asos revisou a previsão de crescimento anual de algo entre 20 e 25 por cento para apenas 15 por cento. É uma diferença grande para uma empresa que vinha crescendo rapidamente e já teve valor de mercado próximo ao da Marks & Spencer, mas desabou para 2,1 bilhões de libras na segunda-feira.

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O alerta também puxou para baixo as ações da Hennes & Mauritz, que chegaram a cair 7 por cento. A varejista sueca de roupas havia divulgado o maior crescimento trimestral das vendas em três anos, mas os analistas atribuem esse desempenho ao excesso de descontos, câmbio favorável e base de comparação fácil.a

Na semana passada, a espanhola Inditex, dona da rede Zara, citou a disseminação dos descontos na área de vestuário e avisou que vem tentando não baixar preços. Com isso, o crescimento das vendas ficou abaixo da meta no início do segundo semestre.a

“O aumento das liquidações da Black Friday é negativo para as margens de varejistas de vestuário como a H&M porque fica mais difícil o preço voltar ao normal em dezembro”, escreveu o analista Richard Chamberlain, da RBC Capital Markets.

--Com a colaboração de Hanna Hoikkala, Niklas Magnusson, Neil Callanan, Thomas Mulier, Stefan Nicola, Robert Williams e Anne Riley Moffat.

Repórteres da matéria original: William Mathis em N York, wmathis2@bloomberg.net;Katie Linsell em Londres, klinsell@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Eric Pfanner, epfanner1@bloomberg.net, John J. Edwards III, Marthe Fourcade

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