Em negocios / grandes-empresas

Shoppings brasileiros ficam ainda mais longe do "apocalipse" com e-commerce

BRMalls viu em plataforma de e-commerce uma oportunidade; entre maio e novembro, suas vendas já haviam crescido 1,1% 

Mooca Plaza Shopping
(Divulgação)

SÃO PAULO – Inicialmente visto como uma ameaça aos grandes shoppings, o crescimento do e-commerce no país se tornou uma oportunidade para a BRMalls, maior controladora de shoppings do Brasil.

Em maio, a empresa adquiriu 45% da plataforma Delivery Center, cuja proposta é integrar o varejo físico ao online ao entregar as compras diariamente ou na mesma hora da compra e usa os shopping como centro de distribuição. Na época da aquisição, a BRMalls disse que a empresa atuaria como "plataforma aberta e integra diversos sites de e-commerce às lojas do shopping". 

Até novembro, somente três dos 40 shoppings controlados pelo grupo estavam conectados à plataforma. No mesmo período, o shopping Tijuca, o segundo maior em número de vendas e o primeiro a estar cadastrado, conseguiu aumentar em 17% as vendas de seus restaurantes e em 1,1% as vendas totais.

A aquisição da plataforma não teve alto custo – estima-se que tenha sido de somente R$ 1 milhão. Mas o impacto que terá nos resultados da companhia nos próximos anos pode ser gigantesco: em relatório divulgado nesta quarta-feira (12), o Bradesco BBI estima que a receita da BRMalls pode aumentar em até 10% nos próximos 4 anos graças à plataforma.

O banco ainda compara a Delivery Center ao iFood, hoje líder em entregas de refeições do país, e aposta em um crescimento maior que o da startup brasileira. “O Delivey Center tem a vantagem de ter um hub mais eficiente (a maioria dos shoppings brasileiros) e uma variedade de projetos de mercadorias em um único canal (a maioria das varejistas e dos restaurantes no Brasil também estão localizados em shoppings. Portanto, realmente acreditamos que a Delivery Center pode crescer mais que o iFood”, escreveu.

Os benefícios para a BRMalls devem ir além do crescimento na receita, segundo o banco. “É possível que o lucro líquido da empresa também veja um crescimento no longo termo e que investidores possam comecem a retribuir o verdadeiro valor da plataforma ainda mais cedo, especialmente dado que a recuperação econômica do Brasil tem beneficiado as vendas do varejo”.

Dada as estimativas, o banco aumentou o preço-alvo da ação da BRMalls (BRML3) para US$ 15 (ante US$ 14) e prevê um upside de 17%. Nesta quarta-feira (12), o papel é um dos destaques positivos na bolsa, com alta de 2,51%. 

Longe do apocalipse
Se os shoppings norte-americano passam pelo chamado “apocalipse do varejo” por conta do crescimento do e-commerce, os brasileiros estão longe de ir mal. Carlos Jereisatti Filho, CEO do grupo Iguatemi, explicou em entrevista para o InfoMoney que os shopping brasileiros têm diferenciais como os serviços e proximidade dos serviços urbanos, o que torna improvável a crise por aqui.

“Os shoppings americanos são de subúrbio: foram feitos distantes para atender a todos aqueles bairros residenciais”, disse o executivo. “A gente aqui está totalmente nos centros, [o que é] um componente de conveniência absurdo”, comparou. Confira a entrevista completa aqui.

Fundos imobiliários se beneficiam com o bom desempenho de shoppings. Invista em FIIs com taxa ZERO na XP Investimentos!   

 

Contato