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SÃO PAULO – Ajustando seu modelo de análise depois dos resultados do primeiro trimestre, o Goldman Sachs cortou o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) da Vale (VALE3, VALE5). Agora, o objetivo de 12 meses para os papéis negociados em Nova York é de US$ 43 e US$ 39 para os ativos representativos das ações ON e PNA da mineradora, nessa ordem. O potencial de retorno é de cerca de 42%, segundo o Goldman.
Apesar da redução de US$ 2 em cada target, o banco manteve uma visão bastante otimista com a brasileira. A projeção de lucro por ADR, por exemplo, foi elevada em 6% para 2011, para US$ 5,59. Já as estimativas de lucro por papel nos dois anos seguintes foram cortadas em 4% e 1%, para US$ 4,45 e US$ 3,69, nessa ordem.
“A perspectiva de ganhos da companhia é muito forte, já que esperamos uma alta de 17% dos preços do minério de ferro no segundo trimestre”, afirmaram os analistas, que mantiveram a empresa como favorita entre as latino-americanas ligadas a recursos naturais. “Os papéis não estão refletindo nossa visão otimista para o mercado de minério de ferro”.
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Underperformance deixa ação descontada
O trio de análise do Goldman, composto por Marcelo Aguiar, Pedro Grimaldi e Diogo Miura, destaca que a ação tem tido um desempenho ruim no ano em relação a seus pares. Isso, combinado com a performance “extremamente positiva” dos preços do minério de ferro, criou uma oportunidade de compra não muito comum para o papel.
A mudança de CEO também pode ajudar as ações, já que o banco não espera mudanças na estratégia da mineradora com a subida de Murilo Ferreira ao posto de principal executivo – mesma opinião dada por analistas do BTG Pactual. Apesar dos muitos ruídos em torno do assunto, o Goldman Sachs não acredita que esse seja o motivo por trás do mau desempenho dos papéis – que pode ser atribuído a dúvidas sobre a economia global.
A preocupação com a questão do royalties, segundo o banco, também é exagerada. “Mesmo com a visão conservadora de que os royalties subam para 4%, a Vale ainda estaria barata”, dizem.
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O trio ainda aponta que a ação atualmente é negociada com múltiplos baixos – em termos de P/L (preço/lucro), o desconto em relação à BHP e à Rio Tinto é de 35%.
Ajustes em pipeline de minério de ferro
Outro motivo por trás das mudanças nas projeções da companhia foi a revisão feita pelo Goldman dos projetos de minério de ferro da Vale. O banco cortou a estimativa de embarques de minério de ferro e pelotas em 2012, 2013 e 2014, na esteira do anúncio de atrasos nos projetos, excluiu o projeto de Simandou das projeções e diminuiu a projeção do plano de investimentos em 2012 e 2013 para US$ 20,2 bilhões e US$ 21,1 bilhões.
Essa diminuição na oferta indica que o mercado de minério de ferro pode permanecer apertado por mais tempo. “Nossa projeção atual de que o preço do minério de ferro cairá para US$ 110 por tonelada no mercado chinês em 2013 parece conservadora”, diz o banco.