Siderúrgicas

Gerdau: o tiro certo que deu errado; por que o “call” com a ação falhou?

A empresa parecia, no início do ano, ser a única salvação entre as siderúrgicas, mas parece que nem ela conseguiu escapar do cenário ruim do setor

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SÃO PAULO – Uma salvação no setor siderúrgico que vem provando não ser tão coerente como se apontava no início do ano. A Gerdau (GGBR4), que se diferencia das demais siderúrgicas listadas na Bovespa Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3), por conta de sua forte exposição aos Estados Unidos, era vista no começo do ano como a única ação a conseguir escapar das expectativas cada vez piores para o setor, que sofre com a forte queda da demanda. A ação, no entanto, vem desapontando na Bolsa, enquanto somente os EUA não têm conseguido dar um bilho a mais nas projeções para a empresa ao passo que o Brasil segue pressionando mais.

Atualmente, o papel é negociado abaixo de R$ 9,00, bem distante dos R$ 11,00 atingidos em março, no ponto máximo marcado esse ano. Com a derrocada de lá para cá, as ações já acumulam no ano queda de 11,16% e 25% somente nos últimos três meses, sendo cotadas no fechamento de ontem a R$ 8,41, no menor patamar desde dezembro do ano passado.

Em relatório recente, o BTG Pactual confessou: “nosso call [com Gerdau] não tem dado certo”. O banco tem recomendação de compra na ação. Mas mesmo com a queda, os analistas Leonardo Correa e Caio Ribeiro insistem na compra dado que para eles a ação parece atrativa abaixo dos R$ 9,00. Atualmente, a ação é negociada a 6 vezes o Ebitda e é a menos alavancada do setor.

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O patamar atual do papel pode estar barato, mas a decisão de segurar a ação nesse momento não deixa de ser difícil, comentam os analistas. “Ainda preferíamos a ‘normalização da história’ em nossa cobertura. Reconhecemos que nosso apelo mais otimista para a Gerdau não tem jogado fora as expectativas recentes”.

Eles próprios ponderam que a demanda de aços longos – produto usado pela Gerdau – já cai 10% no ano, contra premissa mais conservadora do BTG de queda de 13% para o ano inteiro. Não vemos grandes esperanças melhora, mesmo que o pacote de concessões anunciado nessa semana pelo governo possa trazer alguma melhora no curto prazo, dado que a crise no setor de bens de capital está perto dos níveis de 2008 e 2009, comentaram. 

A linha que seguiu o BTG não é muito diferente da apontada pelo Credit Suisse, em relatório de quarta-feira, que revisou o case de investimento na Gerdau, deixando bem claro o cenário: “Estados Unidos estão muito bem, mas o Brasil segue pressionando”. 

O Credit Suisse tem recomendação neutra para a ação e cortou agora o preço-alvo das ações de R$ 12,00 para R$ 10,00.

No relatório, eles comentam que o papel já caiu 35% nos últimos 12 meses e a impressão inicial é de que se considerarmos o programa de corte de custos implementado pela Gerdau, alocação de capital e a exposição aos Estados Unidos, os múltiplos “teoricamente” estariam atrativos, porém, quando observa de perto os detalhes, percebe-se que a história não é bem assim. “O que fica claro é que o preço está baixo em função das projeções de ganhos também fracos”, comentam Ivano Westin, Renan Criscio e Santiago Perez Teuffer, do Credit.

Segundo eles, a projeção de lucro líquido da companhia para 2015 deve desapontar e, olhando para 2016, a probabilidade dos números do consenso se materializarem parece cada vez mais baixa. Eles lembram, no entanto, que a Gerdau pode ser um ótimo negócio quando todas as regiões entregam uma boa performance simultaneamente, mas o momento macroeconômico difícil no Brasil deve pressionar os resultados do segundo semestre deste ano e do próximo.

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Na próxima sexta-feira, dia 12 de junho, a companhia irá receber investidores em Nova York para o “Investor Day”. Eles aguardam que o guidance para o mercado seja de redução de custos em todas as unidades, enquanto o capex (investimentos em bens de capital) pode ser revisado para baixo caso a trajetória de deterioração continue. Para eles, a empresa deve direcionar os esforços para os desinvestimentos e priorizar a geração de caixa, enquanto, na parte operacional, deve priorizar a operação nos Estados Unidos, que deve entregar um crescimento de 2,4% na comparação anual em volumes, enquanto o Brasil trabalhará com queda de 13% nas vendas domésticas.

Fica então as expectativas dos números da empresa, enquanto o “brilho” em vinha com sua exposição aos Estados Unidos vai se perdendo em meio de deterioração no Brasil.