Análise

Garantia de que Eike vai injetar R$ 1,3 bi na MMX não agrada o Barclays

Embora a emissão de ações beneficie a estrutura de capital da empresa, ela irá diluir ainda mais o preço-alvo da mineradora, explica o banco, que reitera preferência por Vale no setor

Igarape, 05 de novembro de 2011Imagens aereas das minas de minerio de ferro Tico Tico e Ipe, da empresa MMX, no complexo Serra Azul.Foto: Bruno Magalhaes / Nitro

SÃO PAULO – A MMX (MMXM3) anunciou um aumento de capital de R$ 1,36 bilhão através de subscrição de ações, e o acionista controlador, Eike Batista, se comprometeu em comprar todas as ações caso não forem subscritas. Uma injeção como essa pode diluir consideravelmente aos acionistas, o que mantém o Barclays com uma visão cautelosa para a empresa. 

Esse anúncio, contudo, não foi surpresa para os investidores, mas os analistas Leonardo Correa, Pedro Grimaldi e Luiz Fornari estimam que esse aumento de capital só sairá em 2013 e através de uma emissão com valor mais deprimido do que o atual. “Mantemos cautela com as ações da MMX, devido a alta incerteza nos projetos econômicos da empresa, e preferimos nos expor ao setor de mineração pelos papéis da Vale (VALE3; VALE5)”, comentaram.

Eles ainda complementam: “enquanto os acionistas devem eventualmente se beneficiar de uma estrutura de capital mais balanceada e a conclusão do pacote de financiamento, nós esperamos que a transação vai aumentar a diluição do nosso preço-alvo”.

Preço-alvo ajustado às novas ações
Diante da expectativa de que novas ações da MMX entrem no mercado, os analistas do Barclays ajustaram o preço-alvo dos papéis para 2013, que passaram de R$ 7,00 para R$ 5,00 – o que configura um potencial de valorização de 26,58% em relação ao fechamento desta terça-feira (4) -, enquanto mantiveram a recomendação das ações em manutenção.

Além disso, outro ponto destacado por eles é o atraso para a construção do porto. A entrada da operação do Porto Sudeste está programa para o último trimestre de 2013, mas inicialmente a estimativa era para o segundo trimestre. “Nós vemos isso como um sinal negativo para a empresa, especialmente considerando as obrigações com os acionistas de títulos”, disseram os analistas.