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SÃO PAULO – Uma das gestoras com o melhor desempenho da indústria mundial de fundos nos últimos anos e que em 2012 demonstrou certo repúdio em investir no Brasil tem recomendado aos seus clientes que continuem investindo nos países emergentes, indo na contramão de muitos gestores que têm focado suas aplicações nas economias desenvolvidas. Contudo, mesmo com esse “call” favorável aos emergentes, o Brasil segue excluído da lista de investimentos interessantes.
A gestora em questão é a Skagen, que tem sede na Noruega. Segundo informações da Bloomberg, o fundo Kon-Titi A, especializado em investir no mercado emergente e que possui 50 bilhões de coroas norueguesas em ativos sob gestão – o que equivale a US$ 8 bilhões -, teve um retorno médio de 15% ao ano nos últimos 10 anos, sendo o 5º melhor desempenho dentre os 1.116 fundos monitorados pela Bloomberg.
Em entrevista à agência norte-americana de notícias, o gestor do Kon-Titi A, Kristoffer Stensrud, afirmou que as eleições em alguns emergentes podem impulsionar os mercados destes países, na expectativa de mudanças políticas significativas. Contudo, embora 2014 seja ano de eleições presidenciais no Brasil, o gestor não colocou o Brasil entre os países que podem ser interessantes, mencionando apenas Egito, Índia, Indonésia, Tailândia e África do Sul.
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Stensrud ressaltou ainda a necessidade de investimento em um padrão de vida maior nos emergentes, o que ainda reserva um potencial de retornos acima da média nestes países “Os carros nos mercados emergentes são muito interessantes, porque a penetração é baixa, a demanda é muito alta e a acessibilidade está subindo de forma acentuada. Isso possibilita às companhias fantásticas possibilidades de crescimento”, explica o gestor. Sem nenhuma grande montadora com ações listadas na Bovespa, o mercado brasileiro possibilita ao investidor que quiser se expor ao setor automobilístico alguns papéis com relação indireta ao segmento, como é o caso das fabricantes de autopeças e siderúrgicas.
Nova Venezuela?
Em novembro de 2012, a Eletrobras (ELET3, ELET6) informou ao mercado que a Skagen reduziu em 1,058 milhão o total de ações preferenciais classe B da companhia, passando a deter 39.338.346 ativos – o total de ELET6 sob gestão dos noruegueses passou de 15,22% para 14,82%, o que equivale a 39,338 milhões de papéis. Contudo, o que chamou a atenção do mercado foi a entrevista dada pelo na época executivo da Skagen ao Financial Times, dizendo que as medidas adotadas pelo governo na ocasião – com a assinatura da MP 579 – foram dignas de governos mais intervencionistas.
“Isso é como uma forma de nacionalização de propriedade, então é mais ou menos o mesmo que vimos na Venezuela ou Argentina”, disse Kristian Falnes ao jornal britânico.
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Na épooca em que o governo assinou a Medida Provisória 579, que tinha como objetivo a revisão das tarifas cobradas pelas companhias de energia, as ações ligadas ao setor elétrico desabaram na Bovespa. A Eletrobras, por exemplo, viu seus papéis caírem 20% apenas no pregão do dia 21 de novembro de 2012.