Fragilidade das ações da Tractebel é oportunidade de compra, aponta Citigroup

Entre as concessionárias brasileiras, a Tractebel é a top pick no setor de energia elétrica dos analistas do Citi para 2011

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SÃO PAULO – O desempenho negativo apresentado pelos papéis da Tractebel (TBLE3) nas últimas semanas, reflexo das preocupações quanto a problemas orçamentários e atrasos no processo de construção da planta de Jirau, não é justificável para os analistas do Citigroup, que indicam ser esta uma oportunidade de compra para os investidores.

Reforça a opinião dos analistas Marcelo Britto e Tathiana Reis a recomendação de, no curto prazo, manter ações defensivas na carteira para enfrentar a volatilidade nos mercados acionários. Frente às concessionárias brasileiras de energia elétrica, a Tractebel se posiciona como top pick do Citi para 2011.

Essa escolha foi baseada no crescimento esperado para o Ebitda (geração operacional de caixa) da empresa entre 2010 e 2012, na capacidade contratada até 2012, que atualmente já é de cerca de 100%, e na proteção oferecida pela Tractebel em relação à preocupação com a inflação, já que os contratos são reajustados pelo IPCA ou pelo IGP-M, dois índices de inflação.

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Pressão sobre as ações
Os fatores que pressionaram as ações da companhia estiveram ligados principalmente à construção da usina de Jirau. Primeiro, foi reportado que os custos em alta para a GDF Suez, controladora da Tractebel, e atrasos na implementação do calendário proposto minariam a capacidade da empresa de vender energia no mercado livre quase um ano antes do início da venda nos mercados regulados. 

A empresa emitiu nota oficial negando as informações e reafirmando o objetivo de iniciar operações no local já em março de 2012. No entanto, na última semana trabalhadores realizaram manifestações reivindicando melhores condições e as obras foram interrompidas. Com a destruição de parte dos alojamentos, o que pode causar redução temporária da mão de obra no local, o plano de completar Jirau antes do previsto está novamente em risco, embora a empresa tenha afirmado que ainda trabalha com início das operações para junho de 2012. 

Transferência de ativos
Apesar dos acontecimentos recentes em Jirau, o mais importante a ser notado, segundo analistas do Citi, é a força que os minoritários devem ganhar na transferência desse ativo da GDF Suez para a Tractebel.  Os analistas ressaltaram que o novo modelo de transferência implica em valor adicionado e ganhos de capital a serem partilhados entre as partes, além da formação de um comitê independente para avaliar e recomendar (ou não) a aquisição.

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Vale ressaltar que qualquer transferência de ativos irá ser realizada com a avaliação minuciosa dos acionistas minoritários, que terão o poder de aprovar ou rejeitar a transação. Mais importante ainda, apenas os acionistas minoritários decidirão quanto à equidade dos parâmetros utilizados e capacidade de geração de valor dos ativos.