Fitch afirma grau de investimento do Brasil devido a bons fundamentos

Solidez das reservas internacionais e boas medidas anticrise foram ressaltadas pela agência durante teleconferência

Publicidade

SÃO PAULO – Resiliência. Foi essa a palavra-chave da teleconferência realizada pela agência de classificação de risco Fitch Ratings nesta quinta-feira (14) para discutir as afirmações dos graus de investimento do Brasil e do Peru. Os ratings soberanos de ambos os países foram confirmados em “BBB-” no último dia 12.

A afirmação do rating brasileiro não significa que o País não foi afetado pela crise. Pelo contrário, a Fitch reconhece que a união entre recessão global, queda nos preços das commodities e redução do fluxo internacional de crédito tiveram impactos importantes na economia brasileira.

Porém, a diretora da equipe de Rating Soberano da Fitch, Shelly Shetty, ressalta que “países com baixo grau de investimento como o Brasil estão autorizados a ter um declínio, assim como o resto do mundo”. Segundo ela, “a chave aqui é que esse declínio não resulte em problemas financeiros severos ou uma crise mais ampla”.

Continua depois da publicidade

As vantagens que sustentam o rating

São três os fatores que sustentam o grau de investimento do Brasil, conforme explicado por Shelly durante a teleconferência:

  • A sólida folha de balanço externa, que une quatro fatores: posição de liquidez externa sólida, com reservas internacionais próximas a US$ 190 bilhões; limites para as vendas de dólares no mercado à vista; a utilização das reservas pelo Banco Central para reduzir a volatilidade do câmbio e não estabelecer metas; a dolarização do sistema financeiro é pequena e o Brasil mantém posição de credor externo, dando flexibilidade ao Banco Central para deixar o câmbio depreciar;
  • A estrutura política prudente e respostas sólidas à crise, primeiro com a redução dos compulsórios e depois com a flexibilização da política monetária;
  • A renda per capita em linha com a média dos países que possuem rating “BBB-” e um consenso quanto ao crescimento de políticas que diminuam os riscos de ruptura da atual conduta.

    Projeções para este ano

    A diretora explicou ainda que a Fitch prevê uma deterioração das reservas internacionais do Brasil neste ano, devido à redução do superávit da conta capital, embora a agência preveja que o déficit de conta corrente externa do Brasil cairá para 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto). Apesar das projeções de queda das reservas externas, a expectativa da Fitch é de que a posição de liquidez e de solvência continuará robusta.

    Além disso, o Brasil continuará a ser um credor externo. “O que é tão importante em atingir esse status? Como o setor público se tornou comprado em moeda estrangeira, isso reduz a dependência das dinâmicas de dívida pública da depreciação do real, protegendo o câmbio da destruição nos mercados internacionais”, explica Shelly, acrescentando que isso rompe a ligação que transmite uma crise externa ao mercado doméstico.

    Para o PIB brasileiro, a expectativa é de queda de 1,2% neste ano, melhor que a performance de muitos países com o mesmo nível de grau de investimento, conforme ressaltado pela diretora da Fitch.

    Elevação do rating?

    “O que é preciso para haver uma ação positiva de rating no Brasil? A manutenção da credibilidade da estrutura política durante a presente crise global, maior fortalecimento da folha de balanço externa e a retomada de uma trajetória de crescimento maior seriam positivos”, afirmou Shelly Shetty.

    “Adicionalmente, a melhora da estrutura das finanças públicas e a melhora das projeções de crescimento seriam importantes, já que permitiram a convergência da carga de dívida do governo para a média dos países que possuem grau ‘BBB-‘”.

    As pressões, por outro lado, podem vir de uma maior deterioração das reservas externas do Brasil ou da composição da dívida doméstica, bem como do aumento dos riscos políticos.