Destaque de queda

Faz sentido? Ação da Petrobras cai mais de 3% mesmo com reajuste no combustível

Estatal anunciou na noite anterior aumento no preço da gasolina e no, o que fez as suas ações listadas nos EUA avançarem por lá; contudo, movimento não se repete por aqui

*Atualizada às 11h03 (horário de Brasília)

SÃO PAULO – Mesmo com o anúncio de reajuste dos preços de combustíveis, as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) abriram o pregão desta terça-feira (30) em forte queda. Às 11h02 (horário de Brasília), os papéis ordinários da petrolífera recuavam 3,09%, aos R$ 18,51, seguidos pelos preferenciais, que registravam desvalorização de 3,46%, sendo cotados a R$ 18,67 – patamares próximos as mínimas do dia.

O desempenho ruim das ações da Petro pressiona o Ibovespa nesta manhã, visto que PETR3 e PETR4 respondem por mais de 10% da composição da carteira teórica do índice. No mesmo horário, o benchmark da bolsa brasileira apresentava queda de 0,98%, aos 59.811 pontos.

O movimento negativo das ações da estatal na BM&FBovespa contraria a trajetória de alta dos ADRs (American Depositary Receipts) na bolsa norte-americana na noite anterior, tendo chegado a subir mais de 2% no after hours dos EUA com a repercussão do anúncio – que foi publicado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) às 19h29.

Reajuste ainda não é o suficiente
Os reajustes de 6,6% e de 5,4% para os preços da gasolina e diesel, respectivamente, aprovados na véspera pela companhia, e que entram em vigor hoje, aliviam a situação da empresa, mas estão longe de resolver o problema da defasagem entre os preços dos combustíveis importados pela estatal e os cobrados no mercado interno. Segundo analistas de mercado, ainda existe uma defasagem da ordem de 13% no preço da gasolina e 24% no diesel. 

A Petrobras perdia cerca de R$ 2 bilhões por mês com o subsídio, vendendo no Brasil mais barato que o preço de aquisição desses combustíveis no mercado internacional. Com a correção dos preços, a companhia deve engrossar o caixa com R$ 600 milhões, mas ainda sobrará uma significativa “gordura” para queimar. 

O mercado trabalhava com um reajuste na ordem de 7 a 10% para este anúncio, e um total de até 15% para o ano. Ou seja, apesar da sinalização positiva do aumento, ele não deve ser suficiente para suportar um rali do papel, estimam os analistas da XP Investimentos e Planner Corretora. 

Caso seja o único anúncio de 2013, conforme acreditam algumas fontes do mercado, analistas apontam que isso geraria queda potencial de 9% a 13% nas projeções de lucro para o ano.