Problemas com privacidade

Facebook tem aumento de receita e publicidade deslancha, mas desafio é lidar com os reguladores

Embora as finanças permaneçam sólidas, a maior preocupação dos últimos tempos tem sido em relação a privacidade

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SÃO PAULO – O Facebook divulgou seus resultados do terceiro trimestre na última quarta-feira (30). Os números superaram as expectativas dos analistas e as ações da rede social nesta quinta-feira (31) subiam 2,8% cotadas a US$ 193,50 às 12h (horário de Brasília).

O lucro por ação foi de US$ 2,12, enquanto analistas da Refinitiv esperavam US$ 1,91. A receita da empresa foi de US $ 17,35 bilhões, ante US$ 13,73 bilhões no mesmo período do ano passado. O salto de 29% se deve principalmente ao aumento de receita advinda de publicidade, que representa US$ 17,38 bilhões do total, aumento de 28% em relação a 2018.

Os usuários ativos diários foram 1,62 bilhão, pouco acima do 1,61 bilhão previsto pela consultoria FactSet. Isso representa um aumento de 9% na comparação ano a ano.

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Os usuários ativos mensais ficaram em  2,45 bilhões, o que representa um aumento de 8% na comparação com o mesmo período de 2018.

A receita média por usuário, por sua vez, foi de US$ 7,26, antes os US$ 7,09 previstos pelo FactSet. De acordo com o relatório da empresa, as receitas de publicidade advindas de mobile representaram aproximadamente 94% da publicidade total do trimestre, quase 92% acima da receita de publicidade no terceiro trimestre de 2018.

“Tivemos um bom trimestre e nossa comunidade e negócios continuam a crescer”, disse o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, em comunicado.

“Estamos focados em progredir nas principais questões sociais e em construir novas experiências que melhoram a vida das pessoas em todo o mundo”.

O Facebook informou que conta com mais de 2,2 bilhões de usuários mensais considerando toda sua família de produtos (Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger).

Sua base de usuários na Europa aumentou de 286 milhões de usuários ativos diários para 288 milhões no trimestre anterior. Nos EUA e no Canadá, os usuários subiram para 189 milhões, ante 187 milhões no trimestre anterior.

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Zuckerberg defendeu a decisão do Facebook de continuar exibindo anúncios políticos, mesmo aqueles que incluem informações falsas, alegando que defender a liberdade de expressão é um papel importante do Facebook.

Os comentários do executivo vieram depois que o CEO do Twitter, Jack Dorsey, anunciou que sua rede social vai proibir anúncios políticos.

“Algumas pessoas nos acusam de permitir o discurso porque pensam que tudo o que importa é ganhar dinheiro, e isso está errado”, disse Zuckerberg. Ele disse que anúncios políticos representarão menos de 0,5% da receita no próximo ano.

Problemas regulatórios

Embora as finanças do Facebook permaneçam sólidas, a maior preocupação dos últimos tempos tem sido em nível regulatório, onde a empresa enfrenta intensa pressão pelo uso incorreto dos dados dos usuários e, mais recentemente, por sua decisão de exibir anúncios políticos sem verificá-los.

Na semana passada, Zuckerberg foi fortemente criticado por sua posição em anúncios políticos quando testemunhou perante o Congresso em uma audiência sobre a criptomoeda libra, que a empresa está liderando.

Ainda assim, o escrutínio regulatório e político não impediu o Facebook de lançar novos produtos.

No início deste mês, a empresa lançou a segunda geração de seus dispositivos de videoconferência inteligentes chamado Portal e, na semana passada, lançou o Facebook News, uma nova seção da rede social que mostra aos usuários uma seleção personalizada de notícias.

Em setembro, o Facebook anunciou a aquisição dos laboratórios CTRL-startup de computação cerebral depois de fechar uma parceria com a fabricante de óculos Ray-Ban, que pertence ao grupo Luxottica, para desenvolver óculos inteligentes.

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O Facebook está passando por uma grande transição nos negócios, à medida que mais anúncios são exibidos no feed de notícias, incluindo produtos sendo oferecidos no stories, que consiste em ofertar produtos por fotos ou vídeos em tela cheia com a possibilidade do usuário compartilhar e que depois desaparecem.

A empresa já conta com mais de 500 milhões de usuários diários somando recursos do stories no Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger.

Projeções

O diretor financeiro do Facebook, Dave Wehner, disse que a empresa espera que a taxa de crescimento de receita no quarto trimestre desacelere em relação à taxa do terceiro trimestre.

Os analistas esperam um crescimento de vendas de 24% no quarto trimestre, segundo a consultoria Refinitiv, o que representaria uma desaceleração de 5 pontos percentuais.

Wehner afirma que a desaceleração de 2020 deve ser “menos pronunciada”. Segundo analistas, o crescimento da receita também desacelerará no próximo ano, de 26% em 2019 para 22%.

O Facebook antecipa que as despesas totais em 2020 estarão entre US$ 54 bilhões e US$ 59 bilhões, com investimentos de US$ 17 bilhões a US $ 18 bilhões, “impulsionados por investimentos em data centers, servidores, instalações de escritório e nossa infraestrutura de rede”, disse Wehner.

A empresa também anunciou que a diretora independente líder Susan Desmond-Hellmann deixou o conselho de diretores do Facebook na quarta-feira. Ela afirmou que saiu devido as “demandas crescentes” por seu papel como CEO da Fundação Bill e Melinda Gates, sua família e sua saúde.

“Eu continuo otimista sobre o Facebook e a missão de dar às pessoas o poder de construir comunidade e aproximar o mundo”, disse ela em comunicado. “Os acionistas do Facebook exigem um Conselho de Administração totalmente engajado e comprometido para resolver os problemas críticos que a empresa enfrenta no momento.”

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A empresa planeja nomear um diretor independente substituto nos próximos meses.

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