Executivos da Le Lis Blanc vão às compras, enquanto ação dispara 311%

Márcio Camargo e Marcelo Lima - nomes de peso da varejista - compram 22,9 milhões de ações e atingem 40% da empresa, a um preço 71% abaixo do valor atual

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SÃO PAULO – No universo das ações de baixa liquidez, disparadas “sem motivo aparente” não são incomuns no mercado. Movimentos especulativos normalmente dão nome à esses saltos repentinos, que normalmente são acompanhados por fortes correções. 

Em meados de janeiro, uma dessas ações começou a levantar curiosidade do mercado, em um movimento que contrariava – e muito – os demais papéis do setor. A ação da Restoque (LLIS3) – dona das marcas Le Lis Blanc, Bo.Bô e John John -, que na Bolsa é vista como small cap, com valor de mercado de R$ 1,9 bilhão, segundo fechamento da última sexta-feira, disparou 311% de 21 de janeiro até esta sessão. No ano, a alta acumulada é de 300,5%, contra queda de 4,26% do índice Iconsumo, que compila 33 ações do setor listadas na Bovespa.

O motivo
O “nome” dessa disparada não foi nenhuma alteração de perspectiva sobre a empresa, mas uma enxurrada de compras iniciada por dois dos principais nomes da companhia – Márcio Camargo (presidente do conselho da Restoque) e Marcelo Lima (vice-presidente do conselho), conforme documentos entregues à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no dia 5 de fevereiro.

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O documento revela que Márcio Camargo atingiu, direta e indiretamente, 81.735.211 ações da Restoque no dia 4 de fevereiro, enquanto Marcelo Lima passou a deter 61.136.491 ações da varejista no mesmo dia. No total, essas participações de 142.871.702 ações, representam 40,8% do capital social da empresa.

Essas operações aparecem mais detalhadas em um terceiro documento entregue à CVM dia 10 de fevereiro, que traz a posição consolidada da empresa, com data de referência em 31 de janeiro. Nele, mostra que o conselho de administração comprou 22,9 milhões de ações entre os dias 4 a 29 de janeiro deste ano, totalizando ao fim do período 127,2 milhões de papéis, ou 36,36% do capital social da empresa. 

Embora não especifique os nomes, as ações do conselho de administração da Restoque são concentradas praticamente nos nomes de Márcio Camargo e Marcelo Lima. Como nos primeiros documentos mostram que ambos elevaram sua participação até atingir, em conjunto, 40,8% da empresa, pode-se deduzir que boa parte dessas operações foram realizadas no mês de janeiro, conforme traz a posição consolidada da empresa. Isto porque subtraindo a exposição conjunta dos dois, atualizada em 4 de fevereiro, de 142.871.702 ações, por 127.222.792 ações detidas pelo conselho, ainda sobram 15.648.910 ações, que provavemente foram adquiridas nos 4 primeiros pregões de fevereiro.  

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Das operações realizadas em janeiro, pode-se observar que as maiores compras foram realizadas entre os dias 4 a 14 daquele mês, quando os papéis ainda eram negociados a uma faixa entre R$ 1,78 e R$ 1,90.

No dia 14 de janeiro, por exemplo, observa-se um salto no volume financeiro movimentado com a ação na BM&FBovespa, quando alcançou R$ 17,6 milhões, contra média diária de R$ 1,2 milhão dos 21 pregões anteriores. Naquele dia, os executivos da companhia compraram 9.050.400 ações da empresa, ou R$ 16,1 milhões, a um preço médio de R$ 1,78 por ação.  

“Comprando bem”
Pela posição consolidada da empresa, dá para notar também o preço médio que foram realizadas essas aquisições. Ao total, foram 35 operações, totalizando R$ 42,328 milhões, a um preço médio de R$ 1,85 por ação. No mercado, o montante adquirido pelo conselho correspondeu por 19,19 pregões da ação, considerando o volume diário médio negociado nos 21 pregões de janeiro, de R$ 2,205 milhões.

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Embora as operações tenham iniciado no começo de janeiro, os papéis da varejista começaram a saltar na Bolsa somente a partir do dia 21 de janeiro, acumulando até esta sessão alta de 311%. Nesta segunda-feira, os papéis subiram 34,24%, fechando a R$ 7,41. Ou seja, os executivos conseguiram realizar as compras a um preço 75% abaixo do valor atual da ação.

Vale lembrar que, antes desse salto, os papéis operavam no início de janeiro próximos ao menor patamar desde dezembro de 2009, mas com essa arrancada encontram-se já no maior patamar desde julho de 2015. No ano passado, as ações da companhia caíram 75,6% na Bolsa. 

Na Bovespa, a exposição desses executivos às ações da varejista ainda é de 21 de janeiro, não considerando essas últimas aquisições. Por lá, é possível notar a participação dos fundos Northstar Equity e Waterford Participações, que são de titularidade de Marcelo Lima e Márcio Carmago, nesta ordem. Eles detinham, em conjunto, 14% da empresa. Provavelmente, no entanto, que eles detenham participações através de outros fundos, que somem aqueles 28,91% que aparecem no posição consolidada do fim de dezembro passado. Nas informações da Bovespa, os maiores acionistas eram Advent Varejo e Wp Xi B Fundo de Investimentos, com 18,64% e 20,94%, cada. Com essas aquisições recentes, no entanto, os dois passam a liderar com distância o capital da empresa, com uma fatia de agora 40,8%.      

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