Vitória

Eternit: acionistas têm vitória ao tirar presidente do Conselho e reduzir remunerações

Além do atual presidente do conselho Sérgio Alexandre Melleiro ter sido retirado do conselho, Luiz Barsi também saiu, mas manteve seu representante Marcelo Munhoz

Por  Lara Rizério

SÃO PAULO – As movimentações de minoritários para mudanças na Eternit (ETER3) vêm ganhando corpo. Nesta quarta-feira (23), em assembleia de acionistas da companhia, algumas alterações no conselho da companhia foram feitas, o que pode sinalizar o primeiro passo para que ocorram as alterações desejadas pelos minoritários em busca de uma gestão mais eficiente. 

Em assembleia, o número de conselheiros da empresa ficou mantido em seis integrantes, mas houve duas importantes alterações no conselho da companhia: Luiz Barsi, conhecido como Rei da Bolsa“, deixa o conselho de administração da Eternit, assim como Sérgio Alexandre Melleiro, ex-executivo da empresa e que era presidente do Conselho desde 1993. 

Em substituição aos dois conselheiros, entram o CEO (Chief Executive Officer) da J.Malucelli Investimentos, Leonardo Deeke Boguszewski, e Marcelo Gasparino, o que deve tornar o conselho mais ativo e dar mais voz aos minoritários, segundo uma fonte que não quis se identificar e que participou da assembleia. 

Desta forma, além de Deeke e Gasparino, o conselho será composto por Lirio Parisoto, Benedito Carlos Dias da Silva (que representa Victor Adler), Marcelo Munhoz Auricchio (representante de Barsi) e Luiz Terepins, que já participou do conselho de diversas companhias como Dasa (DASA3) e atualmente integra o conselho da Even (EVEN3). Na noite da véspera, a Eternit havia emitido um comunicado indicando o nome de Gasparino por Lirio Parisotto para integrar o quadro de candidatos ao conselho de administração da companhia. 

Com essas mudanças, nenhum integrante do conselho de administração terá vaga direta no conselho da companhia. Antes,  o antigo presidente da Eternit, Élio Martins (que faleceu no ano passado) e Sergio Melleiro – presidente do Conselho – eram funcionários e tinham duas vagas no conselho para a administração. “Élio tinha um poder de influência muito grande. A mudança deixa  oconselho mais alinhado com o acionista que com a gestão”, destaca a fonte. 

Vale ressaltar que o capital da companhia é bastante pulverizado entre os acionistas. Enquanto pequenos acionistas detêm aproximadamente 55% do capital da empresa, três dos maiores investidores em Bolsa, Luiz Barsi Filho, Lírio Parisotto e Victor Adler possuem 40% do capital.

Além das mudanças no conselho, foi decidido na assembleia que a remuneração da diretoria será menor neste ano. Vale ressaltar que esta era uma das principais propostas dos acionistas minoritários, que destacam o alto montante de despesas gerais e administrativas como um dos fatores para o alto endividamento da Eternit. Cabe destacar ainda o desempenho das ações da Eternit na Bolsa. Às 14h51 (horário de Brasília), as ações ETER3 registravam ganhos de 1,97%, a R$ 8,82. 

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