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SÃO PAULO – A Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento) divulgou nesta sexta-feira (15) um estudo de comparação entre as taxas de administração praticadas nas indústrias de fundos brasileira e norte-americana, revelando um alinhamento muito grande entre as tarifas cobradas nos dois países.
Utilizando os dados do ICI (Investment Company Institute) relativos a dezembro de 2007, a pesquisa mostra que os fundos de ações norte-americanos cobravam em média uma taxa de administração de 1,02%, enquanto no mercado brasileiro o percentual chegava a 1,33%. Nos fundos de renda fixa, por sua vez, as taxas cobradas foram de 0,79% e 0,80%, respectivamente.
O estudo ressalta, porém, que no Brasil, a participação de fundos exclusivos – pertencentes a empresas, seguradoras, fundos de pensão e clientes de private banking – é bastante relevante, o que leva a média global das taxas para baixo, já que estes clientes são detentores de grandes volumes e negociam tarifas menores, além de não haver custos de distribuição relevantes para a categoria.
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Deste modo, apesar de não existirem dados disponíveis sobre a parcela de investidores exclusivos e mesmo sobre os valores médios de taxa de administração cobrados deste segmento no mercado norte-americano, a Anbid calculou apenas para efeito de demonstração a média voltada para o segmento de varejo no mercado brasileiro.
Assim, conforme o esperado, os cálculos revelam que as taxas cobradas no País são consideravelmente maiores sem a participação dos fundos exclusivos. No caso dos fundos de ações, a tarifa cobrada em dezembro de 2007 no Brasil chegava a uma média de 2,63%, enquanto nos fundos de renda fixa, a taxa era de 1,09%.
Considerações da Anbid
Considerando os números das indústrias de fundos brasileira e norte-americana, a Anbid afirma que, além da comparação direta de taxas, existem diferenças relevantes entre os dois mercados que justificam tarifas um pouco superiores no Brasil.
Uma destas diferenças diz respeito ao porte das indústrias. Conforme destaca o estudo, houve uma queda expressiva nas taxas de administração do mercado norte-americano das décadas de 80 e 90 para os anos 2000, mesmo período em que o patrimônio dos fundos no país saltou de US$ 135 bilhões para os atuais US$ 10,7 trilhões. “Ou seja, o porte do mercado parece ser um indicador direto de queda da taxa”, avalia a instituição.
Outra questão levantada pela pesquisa trata sobre a penetração dos fundos norte-americanos. Neste quesito, a Anbid ressalta que o número de investidores nos EUA também apresentou crescimento vertiginoso. “Não é necessário analisar a evolução da população do país para perceber que a penetração do produto aumentou expressivamente”, conclui a associação.