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SÃO PAULO – O noticiário de que a operadora de telecomunicações Oi (OIBR4, R$ 2,37, -5,58%) ficou ainda mais perto de sua planejada fusão com a Portugal Telecom, que deve levantar ao menos R$ 8 bilhões, não impactou apenas na queda dos papéis da companhia na Bovespa, em meio à possibilidade do preço da oferta ficar 16% abaixo do valor atual. O mercado cambial também foi fortemente afetado pelo noticiário da empresa, tendo em vista a forte entrada de dólares no Brasil, o que culminou em uma queda significativa da divisa nesta segunda-feira (28).
A moeda norte-americana recuou 0,78%, a R$ 2,2254 na venda, após avançar 1,22% na sexta-feira. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de R$ 1,3 bilhão.
“Estão dizendo que o dinheiro da Oi está entrando, somando-se a um trimestre de fluxo bastante positivo”, afirmou o especialista em câmbio da corretora Icap, Italo Abucater. A Oi precificará ainda nesta segunda-feira emissão de até 7,75 bilhões de ações, incluindo lote inicial, suplementar e adicional. A liquidação das ações da oferta brasileira na BM&FBovespa será em 5 de maio.
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A operação soma-se a uma série de captações corporativas que têm ajudado a manter o fluxo cambial brasileiro no azul. Contribuem para isso também investimentos estrangeiros diretos e em porfólio, diante dos rendimentos com juros elevados no país. Apenas em abril, até o dia 23, o fluxo estava positivo em US$ 2,719 bilhões, segundo o BC.
O lote inicial da Oi envolve 5,75 bilhões de ações e o volume de papéis na operação pode alcançar até 7,75 bilhões com os lotes suplementar e adicional. De acordo com duas fontes com conhecimento direto da operação consultados pela Reuters, as ações preferenciais da Oi devem ser precificadas entre R$ 2,00 e R$ 2,30.
A Oi pretende usar os recursos para capitalizar a CorpCo, a empresa resultante da fusão com a Portugal Telecom. Executivos da Oi e da Portugal Telecom dizem que a CorpCo terá mais força para competir no Brasil com grandes rivais como a Vivo, da espanhola Telefónica, a TIM, da Telecom Italia, e a Claro, da mexicana América Móvil.
Sob os termos do acordo, a Portugal Telecom irá contribuir com seus ativos, excluindo sua fatia na Oi, e irá deter 38 por cento da nova companhia. Os acionistas da Oi, excluindo a participação da empresa portuguesa, terão 30 por cento da CorpCo e outros investidores como o BTG Pactual e alguns fundos de pensão brasileiros ficarão com o restante.
Cada ação ordinária da Oi será trocada por uma ação da CorpCo e cada ação preferencial da Oi será trocada por 0,9211 papel da CorpCo. O grupo BTG Pactual está coordenando a operação junto com bancos de investimentos de Bank of America, Barclays, Citigroup, Credit Suisse Group AG, Banco Espírito Santo e HSBC Holdings. Banco do Brasil, Bradesco, Banco Caixa Geral de Depósitos, Goldman Sachs, Itaú Unibanco, Morgan Stanley & Co e Banco Santander também são coordenadores.
(Com Reuters)