Disparada

Em meio a crise no estado, Banco do Espírito Santo dispara até 20% na Bolsa com volume atípico

Sem nenhuma informação que justifique a alta, rumores sobre privatização de outros bancos pode começar a afetar o Banestes diante dos problemas do estado

SÃO PAULO – O estado do Espírito Santo passa por um de seus momentos mais difíceis diante da onde de criminalidade que só aumenta com a falta da Polícia Militar na rua. Apesar da situação caótica na região, as ações do Banco do Estado do Espírito Santo, o Banestes (BEES3), dispara na Bolsa nesta quarta-feira (8), chegando a subir 20,91% na máxima do dia.

Os protestos que impedem o policiamento no estado chegaram hoje ao 5º dia, e o número de mortes violentas já superou os 90, segundo Sindicato dos Policiais Civis. Nesta quarta, os ônibus não circulam na Grande Vitória. Escolas e faculdades estão fechadas, postos de saúde e prefeituras não terão atendimento. Alguns bancos e shoppings também não estão funcionando.

Na Bovespa, às 15h10 (horário de Brasília), os papéis BEES3 tinham ganhos de 9,70%, com um forte volume financeiro. Para o analista Marco Saravalle, da XP Investimentos, não houve nenhuma notícia que justificasse o movimento, mas os boatos sobre privatização de outros bancos estatais podem afetar o Banrisul dado o cenário complicado da região.

“Podemos fazer um paralelo com o que aconteceu com o Banrisul, e que pode acontecer com outras empresas listadas. Como alguns estados estão passando por situação financeira delicada, a venda ou privatização pode ser a solução de curto prazo”, afirma. Segundo ele, os ativos destes bancos estão sendo negociados abaixo do valor patrimonial: “O mercado pode considerar como ‘valor justo’ algo próximo a 1x book, já que os bancos apresentam rentabilidade próxima ao custo de capital de longo prazo”.

No noticiário do banco, o presidente da Câmara, Alexandre Bastos, falou sobre a possibilidade da liberação de uma linha de financiamento pelo Bandes ou Banestes, que pode ajudar a amenizar os problemas que os comerciantes locais enfrentam. Mas, segundo ele, é necessário que as regras sejam flexíveis e simplificadas, para que os pequenos comerciantes tenham acesso. “E é preciso que tudo isso seja feito com rapidez, para que o estrago não seja maior. Temos comerciantes desesperados e trabalhadores que vão perder o emprego. Está na hora de o governo mostrar humanidade e resolutividade”, afirmou.

Além disso, o banco enviou um comunicado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) nesta quarta-feira, mas o conteúdo pouco ajuda a explicar a disparada da ação. A nota informa apenas que foi deliberado pelo Banco Central o mandato de Michel Neves Sarkis no Conselho de Administração e de Bismarck Jaime de Menezes e Ronaldo Andrade Soares como membros do Conselho Fiscal.

Vale destacar ainda a baixa liquidez da empresa em Bolsa, o que contribui para movimentos mais bruscos das ações. Em média, os papéis ordinárias do Banestes (que possuem maior liquidez na Bovespa) giram R$ 120 mil por dia na Bovespa, oriundo de 40 negócios realizados diariamente. Contudo, até às 15h15 (horário de Brasília) desta quarta, os ativos BEES3 já tinham movimentado R$ 701,5 mil por meio de 197 negócios. A última vez que o papel teve um movimento tão forte foi dia 18 de janeiro, quando movimentou R$ 560 mil.

Ainda sobre o volume de negócios, a análise do “book de ofertas” das ações do Banestes mostra uma participação pulverizada de corretoras entre os compradores e vendedores e quase todas estas corretoras possuem forte participação no segmento pessoa física – o que também dificulta supor que a alta deve-se ao movimento de um grande investidor. Neste momento, as corretoras com maior saldo positivo (diferença entre compras e vendas da ação) eram XP, Walpíres, Itaú e Elite, enquanto Votorantim, Socopa e Ágora apareciam entre as corretoras com maior saldo negativo.