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SÃO PAULO – O aumento dos juros na China, no último sábado, de modo geral já era esperado e foi bem recebido pelos analistas, com a avaliação de que terá importante contribuição no combate à inflação. Com o Brasil numa situação semelhante, registrando taxa de inflação substancialmente acima da meta, o que a medida chinesa pode indicar para o próximo ano?
De forma análoga às mais recentes sinalizações de autoridades do Governo e do Banco Central aqui no Brasil, na China analistas apontaram certa relutância inicial em relação ao aumento dos juros, considerando o impacto negativo do aperto monetário para o crescimento econômico.
Além disso, no Brasil, a percepção de parte dos analistas, que dão como certo o aperto monetário nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), é de que um aumento gradual dos juros, ao longo do próximo semestre, é mais benéfico do que um aperto monetário súbito.
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De maneira semelhante, na China, a avaliação do aumento de 0,25 ponto percentual é de que significa o início de uma gradual normalização das taxas de juros, com o impacto no curto prazo não sendo muito negativo e com expectativa de novas elevações nos juros nos próximos meses.
Perspectivas pra 2011
Para Nate Weisshar, do The Motley Fool, a perspectiva para a economia global no próximo ano não é positiva. Na visão do consultor, a inflação dos alimentos – fator que tem mostrado grande peso tanto na inflação chinesa como também aqui no Brasil – vai mais uma vez continuar forte, o que deve gerar aumentos nas cotações de ações de empresas ligadas ao setor de commodities agrícolas.
Adicionalmente, a inflação dos alimentos deve motivar países como Índia e China à aumentarem suas taxas de juros como forma de segurar a inflação. Outro efeito seria prováveis medidas de restrição de entrada de capitais em países que ainda não tem mecanismos com esse intuito. Nesse sentido, vale lembrar os aumentos no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) promovidos pelo Governo nas aplicações com capital estrangeiro no Brasil.
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Recuperação global e demanda chinesa
“Tudo isso poderá levar a uma diminuição da recuperação [econômica] global maior do que é esperada, o que poderia disparar movimentos de venda de ativos de maior risco e uma corrida de volta para o dólar”, avalia Weisshar. Nesse cenário, o analista também afirma que a queda na demanda por commodities na economia chinesa pode levar á quedas de ações de empresas de mineração, como BHP Billiton e Rio Tinto, principais pares da Vale (VALE3, VALE5).