Entenda

Eles não andavam juntos? Então, por que a Vale caiu 7% em maio e o minério subiu 11%?

Os dois ativos andam de mãos dadas, mas, no mês passado, a história não foi bem essa; entenda o que fez os preços se descolarem

Mineração da Vale
Mineração da Vale
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SÃO PAULO – As ações da Vale (VALE3; VALE5) historicamente andam de mãos dadas com a cotação do minério de ferro. Quando a commodity cai na China, naturalmente, a ação da mineradora recua na Bovespa, e o mesmo ocorre na mão inversa. Isso porque o minério de ferro é o principal produto da exportadora e qualquer variação no preço inevitavelmente impactará sua receita.

No mês de maio, no entanto, a correlação entre os dois ativos perdeu força. Isso porque as ações ordinárias da Vale caíram 11% e as preferenciais recuaram 7,5%, enquanto o preço do minério de ferro 62% entregue ao porto de Qingdao subiu 11% no mês passado. 

Mas o que explica esse descolamento? Segundo o analista Lauro Vilares, da Guide Investimentos, o movimento ocorreu para que os preços se ajustassem, dado que a Vale subiu muito mais do que a commodity em abril. Enquanto a mineradora (VALE5) subiu 22%, o minério avançou “apenas” 9%. Então, nos últimos três meses as ações preferenciais da Vale caíram 3,6% e o minério, 0,6%, performances bem parecidas. 

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“Entendo o mês passado como um retorno à normalidade depois de um abril bem melhor para as ações da mineradora”, comentou. (Para ver o movimento, confira o gráfico abaixo).

Além disso, analistas de mercado vêm apontando que os preços da commodity não devem se sustentar em patamar tão elevado e que o normal é que as ações se ajustem à essa expectativa. “O cenário ainda é de queda de preços. Acredito que após vários relatórios de analistas apontando nessa direção, o preço da ação sucumbiu às especulações e voltou à realidade”, disse o analista independente Pedro Galdin, do blog What’s Call

Segundo a ANZ apontou no início de maio, os preços do minério são vistos operando em uma faixa de US$ 50 a US$ 60 a tonelada nos próximos 12 meses. Hoje, são cotados a US$ 61,85. Ou seja, a probabilidade de uma arrancada é baixa, dado que os preços devem permanecer sob pressão enquanto expansões de suprimento de oferta de baixo custo ofuscam cortes de pequenas mineradoras. Em relatório desse mês, o UBS escreveu que os preços serão, em média, de US$ 50 este ano. Ou seja, “o viés é de baixa e o preço da ação vai repercutir isso, mais cedo ou mais tarde”, reforçou Galdi.

Confira o gráfico entre VALE5 e minério de ferro nos últimos três meses: