Adensamento populacional

Efraim Horn, da Cyrela: moradia é único aspecto em que a sociedade caminha para trás

Para especialistas, falta adensamento populacional em zonas centrais de São Paulo; Paim, da MaxCap, culpa “legislação elitista”

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SÃO PAULO – Para Efraim Horn, co-presidente da incorporadora Cyrela, a sociedade evoluiu em praticamente todos os aspectos (ciências, saúde e educação entre eles) – a única exceção é a moradia. “Apartamento está ficando tão caro, tão escasso, que as pessoas vão morar em trailer”, disse ele em entrevista ao programa Imóveis, do InfoMoney. “O próximo passo é morar em carro, e o próximo dividir um carro com outras famílias”.

Em São Paulo, a média de habitação em bairros afastados do centro é consideravelmente maior que as regiões mais nobres. O Itaim Bibi, por exemplo, tem média de 9 mil habitantes por quilômetro quadrado, enquanto o Itaim Paulista, na periferia da cidade, abriga o dobro de pessoas: 18 mil por quilômetro quadrado. Regiões como Sapopemba e Cidade Ademar computam 21 mil. Comparativamente, o quilômetro quadrado de Manhattan, parte mais nobre de Nova York, soma 27 mil habitantes.

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De acordo com José Paim, CEO da MaxCap, esse fenômeno pode ser explicado pela implementação, no passado, de um plano diretor “elitista” que dificultou a construção de mais prédios residenciais nas regiões centrais – encarecendo a oferta existente. Com isso, a classe média perdeu a capacidade de compra nas zonas nobres da cidade e foi morar nas “franjas”.

No limite, o efeito é um chamado “esmagamento da classe média”: os custos com habitação sobem a velocidades desproporcionalmente elevadas no centro da pirâmide, incinerando o orçamento familiar. Nos países da OCDE, a inflação da habitação subiu 100% no mesmo período que os salários da classe média aumentou 25%. “Isso vai acontecer inexoravelmente no Brasil”, diz Paim, “já está acontecendo em São Paulo. Mas a gente pode retardar os efeitos consideravelmente”.

O que os executivos defendem é um maior incentivo do governo à verticalização de bairros centrais e comerciais, povoando com empreendimentos residenciais áreas como as regiões da Berrini, Faria Lima e marginal Pinheiros, onde ficam os empregos, para melhorar a qualidade de vida e de transporte da população urbana – já que a malha urbana em São Paulo não dá conta de atender todo o fluxo diário das periferias para o centro.

Uma das críticas de Efraim é a cobrança de outorga onerosa para construção na cidade, que, segundo ele, encarece os empreendimentos. “Não adianta cobrar 10 mil reais por metro quadrado de outorga, que é o que a Prefeitura quer fazer. Tem que adensar [a habitação nessas regiões] sem outorga, com um preço muito baixo para garantir a densidade habitacional [a partir de] imóveis mais baratos”.

À exemplo de cidades como Dubai, Xangai, Londres e a própria Nova York, os especialistas defendem, ainda, o investimento do estado em construções que estimulem o adensamento populacional nas regiões de interesse.

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