“É a hora de reavaliar pessimismo com a Vale”, aponta HSBC

Mineradora é aposta preferida do banco para setor; de acordo com analistas, embora haja riscos no horizontes, há desobramentos positivos no curto prazo

Publicidade

SÃO PAULO – Destacando que a percepção do mercado para a Vale (VALE3;VALE5) está bastante negativa, os analistas do HSBC, Leonardo Correa e Luiz Fornari, afirmaram que é a hora de reavaliar o pessimismo com a companhia, aposta preferida do banco dentro do setor. A recomendação para as ações PNA é overweight (exposição acima da média do mercado), com preço-alvo de R$ 41,00 – o que reflete um upside de 48,9% em relação ao fechamento da última sessão.

“Embora haja riscos no horizonte, acreditamos em alguns desdobramentos positivos no curto prazo, vindos da China e dos mercados de minério de ferro que podem ajudar a aliviar o pessimismo -talvez extremo – descontado nas ações da Vale”, reforçam os analistas.

Correa e Fornari notaram, em viagem aos EUA, raramente ter visto um consenso tão pessimista sobre a companhia, com diversos analistas vendo a ação sob a ótica de “dar murros em ponta de faca”. Vale mencionar que as ações PNA da Vale acumulam queda de mais de 30% em 2013, tendo chegado no começo de julho aos seus menores preços desde 2009.

Continua depois da publicidade

Os analistas apontam que a notícia de que Li Keqiang, primeiro-ministro da China, indicar esta semana que o país não deve permitir que o crescimento caia abaixo de uma “taxa mínima” – a qual a equipe econômica do HSBC acredita ser de 7% – é animador. Contudo, sinais contrários foram emitidos nesta sexta-feira pelo ministro das Finanças do país, Lou Jiwei, ao afirmar que o governo chinês pode estar disposto a tolerar crescimento econômico no segundo semestre significativamente abaixo de 7%

Além disso, o recente fortalecimento dos preços do minério de ferro no mercado spot de US$ 126,5 por dmt (tonelada métrica seca) e a produção de aço bruto – perto de 800Mtpa, anualizada – indicam que a demanda atual pode não estar tão fraca como dizem, afirmam os analistas.

“A opinião de diversos observadores de que o iminente colapso nos preços do minério de ferro no mercado spot pode não ocorrer – semelhante a 2012, abaixo de US$100 por dmt -, em nossa opinião, devido ao nível muito baixo dos estoques visíveis da commodity no sistema, a não ser que vejamos um efeito maciço de destruição de demanda”, destacam os analistas.

Continua depois da publicidade

4 fatores para ter uma visão positiva para Vale
Com isso, eles apontam para uma visão positiva para a Vale com base em quatro fatores. Primeiramente, o seu interessante caso de bottom up (do microeconômico para o macroeconômico, avaliando primeiro a empresa para depois avaliar a economia como um todo), como o corte de custos, reação dos metais básicos, disciplina de capitais e desinvestimentos.

Em segundo lugar, está a avaliação descontada, precificando uma curva de minério de ferro a preços a US$ 80 por dmt, expectativa de dividendo yield (dividendo pago por ação dividido pelo preço da ação) de 6% em 2014, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 2014. 

Por fim, em terceiro e quarto lugares, estão os benefícios com a desvalorização do real, com um impacto positivo sobre despesas operacionais e investimentos e a queda nos riscos regulatórios percebidos.

Autor avatar
Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.