Dólar deve continuar caindo, dando impulso à inflação nos EUA, avalia estrategista

Chefe da Clearbrook destaca impactos da desvalorização da divisa na expectativa para os índices de preços do país

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SÃO PAULO – Dentre as mais variadas referências, o dólar vem despontando como um dos principais termômetros da recente mudança de cenário nos mercados. Reagindo à combinação de um maior apetite por risco com dados econômicos melhores que o previsto, a divisa norte-americana apresenta trajetória declinante desde o final de março, evidenciando o clima mais favorável que predomina entre os investidores.

Tom Sowanick, da Clearbrook Research, avalia a questão com otimismo, lembrando que o declínio do dólar sugere uma percepção mais otimista do mercado para o rumo da economia mundial. Além disso, destaca o impulso dado aos preços das commodities, na medida em que a moeda mais barata incentiva os investidores a migrarem para aplicações atreladas às matérias-primas, que oferecem um retorno maior.

Por outro lado, o CIO (Chief Investment Officer) da consultoria ressalta que a desvalorização da divisa norte-americana também tem seus pontos negativos, principalmente através da elevação das expectativas de inflação na maior parte dos mercados. Nos EUA, por exemplo, o índice de preços passou de 0,41% para 2,19% desde o início do ano, um aumento de quase seis vezes.

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Dólar x Inflação nos EUA

Diante desta análise, Sowanick acredita que o dólar deve intensificar o movimento de desvalorização frente às demais divisas nos próximos meses, o que deve acelerar o crescimento da inflação na maior economia do mundo, assim como a compra de até US$ 300 bilhões em Treasuries anunciada recentemente pelo Federal Reserve, na medida em que deve elevar a oferta da moeda no país.

Paralelamente, o estrategista também destaca que a manutenção da baixa taxa de juro nos EUA – atualmente na faixa dentre 0% e 0,25% ao ano – vem exercendo forte pressão na divisa do país. Contudo, a adoção de tal política monetária se contrapõe às demais ferramentas utilizadas pelo Banco Central norte-americano no que diz respeito à inflação, já que deve impedir por um tempo um avanço mais significativo dos preços.