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SÃO PAULO – Atualizando a tese de investimento para 2012, o Deutsche Bank elevou o preço-alvo para as ADRs (American Depositary Receipts) da Vale (VALE3, VALE5), de US$ 29 para US$ 30. Em 5 de fevereiro, a cotação na bolsa de Nova York era de US$ 24,74. A recomendação permanece de compra para os papéis.
De acordo com os analistas Rodrigo Barros, Leandro Cappa e Jorge Beristain, a maioria dos catalisadores para o ativo são positivos, mas há alguns riscos relacionados à empresa para este ano, entre eles a disputa judiciária que envolve um pagamento de cerca de R$ 25 bilhões pela mineradora.
Na noite de segunda-feira a mineradora afirmou que recebeu uma cobrança relativa aos impostos sobre o lucro de suas controladas no exterior, mas que irá novamente recorrer da decisão. Para dar continuidade a esse processo, a companhia oferecerá bens avaliados em R$ 1,6 bilhão como garantia, afirmou a empresa em nota.
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Novo projeto e preço do minério
Um dos destaques positivos que podem impulsionar as ações da companhia envolve o projeto Carajás Serra Sul. A expectativa é de que, até o fim do primeiro semestre, a Vale consiga a licença para explorar a região, que tem potencial de 90 milhões de toneladas por ano.
A commodity presente do local possui a maior quantidade de ferro do mundo, o que justifica o prêmio de US$ 5 por tonelada seca paga para os gastos do empreendimento, ressalta a equipe de análise. De qualquer jeito, o negócio é considerado de baixo custo e é visto como positivo pelo banco alemão.
Com essa expansão do minério produzido, a empresa também deve se beneficiar da probabilidade de os preços do insumo continuarem aumentando. A expectativa do Deutsche é de permanência da volatilidade no curto prazo, mas, a partir do segundo semestre, com a China continuando a investir em formação bruta de capital fixo, a demanda deve aumentar e levar os preços para cima.
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Royalties e tributos
Um dos assuntos que mais tem penalizado os papéis da Vale ultimamente é a questão que envolve o pagamento de impostos pelo lucro de suas subsidiárias no exterior. O Ministério da Fazenda quer que a mineradora pague IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) referente ao balanço apresentado lá fora.
A Vale já perdeu duas vezes, mas ainda pretende recorrer. Todo esse imbroglio, como lembram os três analistas, está criando uma percepção de risco “desnecessária” para as ações. No entanto, o banco vê a possibilidade de um acordo ser fechado com o Governo, em um valor abaixo dos US$ 17 bilhões previstos atualmente.
Por fim, há a questão de royalties passados não pagos pela companhia. A perspectiva do Deutsche é de um valor fechado com o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) entre R$ 2 bilhões e R$ 4 bilhões. O diretor financeiro da gigante da mineração, Tito Martins, já disse que as negociações com a União estão perto do fim.