Descontos e EUA em marcha lenta trazem cenário ruim para balanço da Gerdau

Expectativa é de deterioração dos números da empresa de modo geral, entre pressões de custo e menores receitas

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SÃO PAULO – A expectativa pelos números trimestrais da Gerdau (GGBR4) não é das melhores. Para grande parte dos analistas, o resultado do terceiro trimestre, esperado para a manhã da próxima sexta-feira (5), deve trazer deterioração dos principais dados operacionais da siderúrgica.

“A Gerdau deve postar resultados fracos no terceiro trimestre, com as margens recuando em todas as operações devido principalmente a uma combinação de spreads mais apertados nos metais e volumes mais baixos”, dispara o Bank of America Merrill Lynch, em relatório de Felipe Hirai e Thiago Lofiego. Alexander Hacking e Claudia Feddersen, do Citigroup, também esperam números mais fracos em todos os segmentos de atuação da companhia.

A empresa é pressionada não somente por sua exposição aos EUA, onde a recuperação lenta ainda atrapalha o desempenho da companhia, mas também pelos descontos de preços concedidos no mercado doméstico, na tentativa de defender seu market share no País.

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“As operações no Brasil devem ser o destaque negativo deste trimestre, com a margem Ebitda (relação percentual entre a geração operacional de caixa e a receita líquida) caindo de 26% para 23% em relação ao trimestre anterior, em meio a custos mais altos e preços estáveis”, escreve a equipe do BofA Merrill Lynch.

A projeção de 23% de margem Ebitda para a unidade brasileira da siderúrgica é quase um consenso entre os analistas: Barclays e Itaú Corretora fazem estimativas semelhantes, de 23,4% e 23%.

Custos em alta, receitas e lucro em baixa
As expectativas para a margem Ebitda total da companhia também não são mais otimistas. O analista Rodrigo Ferraz, da Brascan, por exemplo, prevê um impacto da alta dos custos de produção tanto em aços especiais quanto nas operações norte-americanas, decorrente da alta dos preços das matérias-primas, que deve afetar o resultado na América Latina.

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Ferraz espera uma queda de 29,2% no lucro líquido da companhia em relação ao trimestre anterior. “Apesar de um pequeno aumento no volume consolidado em comparação ao 2T10, em geral, o resultado a ser divulgado pela Gerdau deve mostrar uma deterioração da rentabilidade da empresa em todos os seus segmentos de atuação”, explica o analista.

A Itaú Corretora, em análise de Marcos Assumpção e Alexandre Miguel, também destaca o efeito dos maiores custos de carvão coque e sucata como fator negativo nos números da siderúrgica. Os menores volumes de vendas nos EUA também preocupam a corretora – já para a Brascan, o avanço dos custos deve ser o mais relevante em relação à região.

Apesar de esperar um resultado regular da empresa como um todo e dar destaque para o desempenho no Brasil, a Fator espera uma deterioração dos números no País na base trimestral, além de uma performance fraca nas operações norte-americana e de aços especiais. O analista da corretora, Rodrigo Fernandes, lembra, em relatório, que as siderúrgicas domésticas concederam descontos aos seus clientes enquanto os preços se elevavam no mercado internacional.

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  (Em R$ milhões)   3T10E* 3T09 Variação
Receita líquida 7.944 6.808 +17%
Ebitda 1.402 1.375 +2%
Lucro líquido 616 655 -6%
Margem Ebitda 17,57% 20,2% -2,63 p.p.

*Média das estimativas do Bank of America Merrill Lynch, Barclays, Brascan, Citigroup, Itaú Corretora e Fator

Cenário difícil pela frente
As perspectivas para a empresa não se mostram muito melhores para os próximos trimestres. “O lado ruim das siderúrgicas é que os resultados do quarto trimestre devem mostrar ainda mais deterioração”, explicam Leonardo Correa e Renato Antunes, do Barclays.

“Apesar da deterioração dos números já ser parcialmente esperada, nos mantemos cautelosos com a ação, já que as margens devem sofrer pressões adicionais nos próximos trimestres”, explica o banco britânico, na expectativa de que os descontos concedidos pela siderúrgica para manter seu market share sejam refletidos apenas no último trimestre do ano.

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Da mesma maneira, os analistas do Itaú apontam não só os descontos, mas também a sazonalidade desfavorável nos EUA como pontos negativos para a companhia no quarto trimestre.

Apesar do pessimismo generalizado com o desempenho da companhia, a Brascan manteve sua recomendação outperform – desempenho acima da média do mercado – para os papéis da empresa, com preço-alvo de R$ 32,72 para dezembro de 2011, upside de 46%. “O monitoramento dos custos de produção, em especial os preços de sucata e ferro-gusa, será um fator chave para acompanharmos a evolução dos números da empresa, no Brasil e no exterior”, completa o analista da Brascan.