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SÃO PAULO – Era esperado que o resultado da Petrobras (PETR3; PETR4) causasse uma reviravolta no mercado, contudo a sensação pessimista foi abrandada ao longo do pregão, e o respingo negativo nas ações da companhia na parte de manhã inverteu para uma ligeira alta de 0,15% dos papéis ordinários, que fecharam cotados a R$ 20,70. no mesmo dia, as ações preferenciais PETR4 amenizaram as perdas e terminaram em queda de 0,10% aos R$ 19,91, em dia que o Ibovespa avançou 1,90%.
Contudo, na mínima do dia, os papéis PETR4 chegaram a cair 5,57%, enquanto os PETR3 despencaram 5,81%, em um movimento iniciado na última sexta-feira (3), diante de um sentimento negativo após a companhia divulgar seu balanço. Ainda na sexta, no after hour, os papéis despencaram para o máximo permitido.
Decepção é unânime
Apesar de ter amenizado as perdas nesta segunda-feira, em dia de forte otimismo do mercado externo, a visão dos analistas sobre o resultado da estatal foi unânime: decepção. As avaliações das onze corretoras e bancos compiladas pelo portal InfoMoney trazem preocupações das mais variadas, entre eles o difícil momento que a empresa está vivenciando até sua alavancagem, que subiu de 24% para 28% no período.
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As principais linhas do balanço da Petrobras vieram abaixo das perspectivas, e ela continua a mostrar uma dificuldade no seu segmento de abastecimento, uma vez que o prejuízo deste segmento foi de R$ 7,03 bilhões, frente às perdas de R$ 4,59 bilhões no trimestre anterior, indica o analista William Castro Alves, da XP Investimentos.
A analista Anisa Redman, do HSBC, atribui esse número ao aumento de custos de importação, causados pelos preços do petróleo, além dos preços de revenda baixos em função da desvalorização do real frente ao dólar, que caiu mais de 11% na comparação entre trimestres. Entretanto, em teleconferência realizada nesta tarde, a presidente da companhia, Maria Graças Foster, voltou a defender que não foi a falta de paridade dos preços que levou a companhia ao prejuízo, mas, sim, ao efeito câmbio.
Os efeitos do preço do combustível
Os reajustes dos preços da gasolina e diesel ocorridos no final de junho, contudo, ainda não tiveram efeitos nos números, mas deve contribuir para minimizar os impactos causados pelos altos custos de derivados importados nos próximos resultados, disse o analista Nataniel Cezimbra, do BB Investimentos.
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Nesse sentido, os analistas Frank McGann e Conrado Vegner, do Bank of America Merrill Lynch, reforçaram que estão convencidos de que a administração da companhia está inteiramente comprometida em restaurar a rentabilidade nos próximos trimestre, mas a disparidade dos preços com o mercado internacional ainda precisa ser resolvida para limitar uma maior deterioração do balanço.
“Apesar da fragilidade do segundo trimestre ser atribuído a fatores não-recorrentes, os resultados claramente destacam o pesado custo que está recaindo sobre a Petrobras com o desconto dos preços da gasolina e do diesel versus os valores internacionais”, ressaltam os analistas do BofA.
Resultado veio cheio de despesas não-recorrentes
É importante destacar, no entanto, que embora o resultado tenha vindo fraco, o analista Pedro Medeiros, da Citi Corretora, alerta para o fato de que se excluir as despesas não-recorrentes, os resultados teriam ficado em linha com suas expectativas.
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“O trimestre foi prejudicado, especialmente, pela despesa de não caixa extraordinariamente elevada de R$ 3,4 bilhões com exploração (comparada com a projeção da Citi de R$ 1,2 bilhão), devido à uma revisão completa dos investimentos passados em exploração, desde 2009”, reforça Medeiros.
Com o ajuste das despesas não recorrentes, o Ebitda (geração operacional de caixa) da companhia teria atingido R$ 13,3 bilhões e lucro líquido de R$ 700 milhões, argumenta a analista do HSBC.
Em relação ao nível de alavancagem, ela expõe que, embora ainda esteja em patamar confortável abaixo do teto auto-imposto de 35%, a alavancagem da empresa subiu, de 24% para 28%. Nesse sentido, a analista reforça que para que possa crescer, a companhia precisa ter controles mais rígidos de custos, além de apresentar uma melhoria no ambiente operacional.
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Segundo os analistas Paula Kovarsky e Diego Mendes, do Itaú BBA, o fraco desempenho operacional resultou em uma imprenssionante queima de caixa de R$ 13,6 bilhões em um único trimestre, fazendo com que os índices de endividamentos aumentassem muito rapidamente do que o esperado.
“Isso traz um questionamento fundamental: a Petrobras precisará se capitalizar? No passado, os gestores da empresa enfatizaram que essa não era uma opção em nenhuma circunstância”, destaca o BTG, afirmando que a companhia talvez tenha que mudar de postura eventualmente.
Veja mais: BTG corta preço-alvo de ADRs da Petrobras, mas ainda recomenda compra
Por sua vez, a analista Redman espera uma melhoria nos demonstrativos financeiros da Petrobras já no terceiro trimestre, graças a aumentos nos preços domésticos efetivados entre junho e julho.
Confiança na administração?
Durante o segunto trimestre, a companhia apresentou seu plano de negócios, de 2012 a 2016, com metas mais tangíveis e com maior transparência, disse Nataniel Cezimbra. Em teleconferência, Graças Foster reiterou sua meta de produção de 2,1 milhões de barris de petróleo por dia para esse ano, com variação de 2% para cima ou para baixo.
Com a mudança na alta administração, os analistas do Itaú BBA apontam que melhorou significamente a comunicação entre a Petrobras e o governo. Entretanto, eles ressaltam que o cenário de inflação no Brasil, que permitiu o aumento do combustível, se deteriorou rapidamente ao longo das semanas, diminuindo o espaço para a elevação nos preços da gasolina na bomba no curto prazo.
Veja mais: A Petrobras irá reforçar seu caixa em R$ 5 bilhões ainda neste mês
Já para 2013, o analista da Citi vê espaço para revisões para cima na percepção do aumento da produção, dependendo da entrega da plataforma P-55, de 180 mil barris diários em capacidade, e considerando que o consenso do mercado está projetando um crescimento relevante na produção de petróleo no mercado doméstico apenas a partir de 2014.
Confira as recomendações das 11 corretoras e bancos compilados pelo InfoMoney:
| Empresa | Recomenda | Preço-Alvo* | Upside* |
|---|---|---|---|
| Itaú BBA (PETR4) | Manutenção | R$ 26,50** | – |
| Citi (ADRs) | Compra | US$ 46,00 | – |
| XP Investimentos (PETR3) | Neutra | – | – |
| BofA (PETR4) | Compra | R$ 29,00** | – |
| HSBC (PETR3) | Overweight*** | R$ 41,00 | 97,50% |
| UBS (PETR3) | Compra | R$ 33,00 | 58,96% |
| Bradesco (PETR4) | Manutenção | R$ 31,00 | 49,33% |
| BB Investimentos**** | – | – | – |
| Safra (PETR4) | Outperform*** | R$ 30,00 | 44,51% |
| Deutsche Bank (ADRs) | Manutenção | US$ 26,00 | – |
| BTG Pactual (ADRs) | Compra | US$ 28,00 | – |
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* Upside: potencial de valorização em relação ao fechamento da última sexta-feira (3) ** Preço justo para o papel na comparação com o último fechamento *** Overweight/Outperform: desempenho acima da média **** BB Investimentos está com recomendação e preço-alvo em revisão |
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