De “queridinha” a questionada: impostos e até crise de água pressionam futuro da Ambev

Indicada por analistas no início do ano, a companhia encerra 2014 com questões que podem pesar, entre elas a questão dos impostos sobre bebidas frias

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SÃO PAULO – O ano tinha tudo para ser positivo para a Ambev (ABEV3), principalmente por conta da Copa do Mundo, e especialistas passaram os primeiros meses do ano indicando a companhia. Mas ainda no primeiro semestre alguns analistas já começaram a mostrar preocupação com a empresa, mas era apenas o início. Agora, a Ambev chega ao fim do ano com algumas questões que podem se tornar grandes riscos no futuro próximo.

Nesta terça-feira (11) a equipe de 5 analistas do JPMorgan divulgou um relatório onde eles rebaixam sua recomendação para os papéis ABEV3 de overweight (acima da média do mercado) para neutra, e entre as razões para isso estão os fracos resultados recentes, as dúvidas sobre os novos impostos e até mesmo a crise hídrica na região Sudeste. Apesar das dúvidas, os analistas seguem confiantes com o potencial de longo prazo da companhia.

De acordo com eles, o negócio resiliente da empresa, o gerenciamento sólido e até os dividendos de 5%, estão entre as razões pra se permanecer otimista com a Ambev no longo prazo. Por outro lado, a falta de catalisadores para a empresa não permitem um grande potencial de valorização da ação, justificando o rebaixamento.

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“Um dos pilares para nossa antiga recomendação estava um possível resultado benigno da nova metodologia de impostos de bebidas”, explicam os analistas. De acordo com eles, isso ainda pode acontecer, mas agora a expectativa já não é tão otimista dada as possíveis mudança em relação às atuais taxas Ad Valorem – ou seja, o imposto cobrado sobre o valor das bebidas.

Crise de água pode pesar na produção
Não são apenas as revisões de projeções e os temores sobre os impostos que fizeram com que o JP cortasse sua recomendação, um dos principais fatores para a redução está também no problema hídrico que a região Sudeste está passando. A equipe de analistas destaca o fato de que cerveja, o principal produto da Ambev, é feito com cerca de 97% a 98% de água e com os reservatórios em níveis historicamente baixos, os riscos são inevitáveis.

A região Sudeste e Centro-Oeste concentra 13 das 28 fábricas da Ambev no Brasil e 70% de todo reservatório nacional de água. E no Nordeste a situação não é melhor, com 9 fábricas e os reservatórios abaixo dos 15%. Mesmo assim, é importante destacar que a Ambev é uma das empresas que melhor converte água em bebida no mundo – para cada 3,34 litros de água a companhia produz 1 litro de cerveja -, a companhia também tem grande autonomia hídrica por meio de poços artesanais.

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“A falta de água pode ser um problema para todos os produtores de cerveja, mas nós vemos isso como um potencial risco futuro para o ritmo de produção da companhia e aumento de custos”, destacam os analistas. Além disso, o JP ressalta que a falta de água também pode levar à um racionamento de energia, afetando as fábricas da companhia.

Cada vez mais problemas
Desde o resultado do primeiro trimestre deste ano há quem aponte alguns problemas nos resultados da Ambev. Na época, a equipe da Citi Corretora já havia apontado que os números, apesar de positivos, não tinham superado a expectativa, o que trazia algumas dúvidas, já que os três primeiros meses do ano são considerados os melhores, ou seja, o resto do ano poderia ser ainda mais complicado.

E em primeiro lugar vieram as questões dos novos impostos, que se estendem há meses. O governo anunciou que iria elevar as taxações de bebidas frias, mas depois decidiu adiar a mudança para dar tempo das companhias do setor mandarem propostas de como isso poderia ocorrer sem um impacto negativo. Isso trouxe um alívio para a Ambev, com analistas apontando que o fato do governo querer ouvir o setor já era um ótimo ponto para que esse aumento de imposto não pesasse tanto.

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Enquanto isso a Copa do Mundo chegou, e se foi sem grandes mudanças para a Ambev. Analistas disseram que a empresa seria bastante favorecida pelo avanço das vendas de bebidas durante o evento, o que chegou a ser precificado nas ações antes mesmo do início do mundial. Porém, os números apresentados pela Ambev no período não foram tão animadores e as questões sobre os próximos balanços passaram a aumentar.

Após 3 trimestres que não conseguiram superar as expectativas, o JP agora espera um quarto trimestre também mais fraco, com mais uma queda no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Resta agora a companhia voltar a mostrar bons números, superando as dificuldades de impostos e efeito da possível falta de água para que as dúvidas de analistas sejam sanadas e que o futuro positivo em longo prazo esperado pelo JPMorgan seja atingido.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.