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SÃO PAULO – Os acionistas da Smiles (SMLE3) tiveram todos os motivos para sorrir desde o IPO (Oferta Pública Inicial, na sigla em inglês) da administradora de programas de fidelidade em abril de 2013. Da abertura de capital até o dia 15 de julho deste ano, a ação subiu 230%, atingindo sua máxima histórica ao bater R$ 58. No entanto, esses bons tempos parecem ter acabado, uma vez que desde este mesmo dia 15 de julho até hoje, os papéis despencaram 50% e já operam a R$ 30,04.
Se era uma das ações favoritas dos investidores e teve tanto sucesso antes, por que a Smiles tem apanhado tão feio na Bolsa nos últimos tempos? Olhando só para o pregão de hoje, já dá para ter indícios do que ocorre. Caindo 11,47%, a companhia responde pela maior desvalorização dentre todas as ações que fazem parte da carteira teórica do Ibovespa, sendo seguida de perto justamente pela sua controladora Gol (GOLL4), que cai 8,31%.
Para o analista da consultoria independente WhatsCall, Pedro Galdi, a Smiles é atualmente contaminada pela decadência da Gol em meio à disparada do dólar, que bate forte na companhia aérea, já que ela possui a maior parte dos seus custos na moeda americana e a maior parte das suas receitas em real. Então, por mais que o acordo de acionistas seja bem definido e haja uma autonomia da operadora de programas de milhagem em relação à sua companhia “mãe”, não dá para imaginar que a Gol possa perder rentabilidade e se endividar indefinidamente sem que isso prejudique a sua controlada. “Querendo ou não é o programa de milhagem da Gol e com o setor de aviação tendo um histórico recente como o brasileiro, com empresas de renome sumindo, não dá para confiar”, diz Galdi.
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Além disso, um empréstimo de US$ 300 milhões que a companhia aérea obteve junto ao Morgan Stanley em agosto teve como garantia ações da Smiles. Ou seja, em caso de não pagamento, as ações podem ir para as mãos do banco, que pode vendê-las para recuperar o dinheiro e isso com certeza traria impacto às ações da Smiles. Para se ter uma ideia, estes US$ 300 milhões são hoje equivalentes a R$ 1,213 bilhões. Levando-se em consideração que o volume diário negociado da Smiles é próximo de R$ 50 milhões, mesmo se o Morgan Stanley decidir vender ao longo de 25 dias úteis de um mês, haverá um incremento de R$ 48,52 no volume negociado por dia. Isso é o fenômeno de mercado conhecido como “overhang”, ou excesso de liquidez, que costuma vir acompanhado de um aumento brutal na volatilidade de uma ação.
Um outro motivo para a derrocada é a crise econômica, que bate em todo o mercado hoje. Embora seja boa em um primeiro momento para a Smiles, a crise também impacta ela no longo prazo. As pessoas com menos dinheiro disponível acabam optando por pagar suas viagens mais com milhas do que com dinheiro, é verdade. O único problema, neste caso, é que, no longo prazo, as pessoas vão acumular menos milhas por conta da queda no consumo. E isso, já é algo que não é bom para ninguém nesta história.
“A situação econômica e política afeta vários fatores como confiança do consumidor e emprego, e as pessoas vão voar menos porque terão menos dinheiro no bolso. Além disso, ainda tem o dólar, que sobe porque o Federal Reserve parece que vem com tudo para subir juros e a crise política aqui não acaba, o que torna o câmbio mais pressionado do que deveria”, explica Galdi. Traduzindo tudo isso: espera-se que menos pessoas viajem este ano.
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Isto é, o momento é de cautela com a Smiles. Não importa quão bom tenha sido o desempenho dela no passado, enquanto a crise mantiver as pessoas com os pés no chão, consumindo menos e adiando as férias, o dólar estiver mais alto e a Gol não conseguir sair da crise, as perspectivas são negativas.
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