Balanço

CVC deixa “problema Avianca” no passado e ações sobem 7%

No total, as despesas com a Avianca custaram R$ 82 milhões à CVC neste segundo trimestre. Em maio, a estimativa era de R$ 100 milhões

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SÃO PAULO – O sufoco provocado pela crise da Avianca passou — e foi menor do que o esperado. Essa foi a conclusão que analistas e investidores chegaram ao avaliar os resultados da companhia de turismo CVC Corp, apresentados na noite de quinta-feira (08). Nesta sexta-feira as ações (CVCB3) subiam 7,4% no fim da manhã. 

A empresa teve um prejuízo de R$ 17,4 milhões e as vendas no conceito same store sales (abertas há pelo menos 12 meses) caíram 2,1%. Os números foram impactados principalmente pelo cancelamento de voos da Avianca Brasil.

Não fossem as despesas com reembolso e reacomodação de passageiros, a empresa teria apresentado um lucro líquido de R$ 41,1 milhões, ante o lucro de R$ 24,8 milhões do mesmo período do ano passado. 

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No total, as despesas com a Avianca custaram R$ 82 milhões à CVC neste segundo trimestre. Em maio, a estimativa que ela havia apresentado era de R$ 100 milhões.

“Já resolvemos 90% dos casos relacionados à Avianca e os 10% restantes já estão provisionados nesses R$ 82 milhões. Não teremos mais despesas com isso nos próximos trimestres”, afirma Luiz Fernando Fogaça, presidente da CVC, em entrevista ao InfoMoney.

Com todas as provisões feitas, a preocupação do mercado agora é o quanto a redução na oferta de voos pode acabar elevando o preço dos pacotes da CVC e afetando suas vendas. 

“Neste momento, nossa principal preocupação é o efeito potencial que a Avianca pode deixar no negócio – não especificamente nos resultados de curto prazo, mas mais estruturalmente”, afirmam analistas do Itaú em relatório.

Fogaça afirma que, ainda que no curto prazo o preço das passagens aéreas seja afetado, a oferta deve ser normalizada ainda neste ano. A CVC espera que cerca de 30 novas aeronaves entrem no mercado nos próximos meses. “Com isso, esperamos um crescimento entre 5% e 10% na oferta de assentos no último trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado”, afirma Fogaça.

A percepção do mercado pode ajudar as ações da companhia, que tem performado bem abaixo do Ibovespa neste ano. Os papéis caíram 15,3%, enquanto o Ibovespa subiu 18,4% em 2019. 

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Perguntado sobre o valor dos ações, Fogaça afirma ser um efeito pontual. “O preço das ações é um problema de curto prazo. Mesmo com a crise na Avianca, a nossa estratégia no longo prazo não muda, a companhia continua sólida”, diz Fogaça.

Expansão na América Latina

Nos negócios, a CVC continua focada em sua estratégia de expandir suas operações na América Latina. Na semana passada a companhia anunciou a aquisição da argentina Almundo, por cerca de R$ 295,7 milhões. 

Com a aquisição, a CVC dobra de tamanho e se torna a segunda maior empresa de turismo da Argentina (com 16% do mercado, ante os 18% da Despegar – dona da Decolar.com). Além das operações na Argentina, na Colômbia, no México e no Brasil, a Almundo, que nasceu como uma startup de viagens, traz um incremento importante para a CVC em sua tecnologia. 

No Brasil, Fogaça afirma que a tecnologia da Almundo deve ser incorporada ao site da Submarino Viagens. “Também estamos estudando como aproveitar essa tecnologia para a marca CVC”, diz. Após o período de diligência contábil, a Almundo deve ser integrada à CVC a partir de novembro. 

Para a CVC, o foco na América Latina é o mercado argentino. “O plano é ser líder na Argentina, é nisso que vamos focar. Obviamente também não vamos descartar oportunidades em outros países. Chile, Colômbia, Peru e México são os que mais interessam”, diz 

Em maio a empresa também aumentou sua participação na companhia americana VHC, de locação de casas e apartamentos em Orlando e Miami. A participação subiu dos 30% para 70% com o objetivo de competir com a americana Airbnb. “É uma empresa que encaixa muito bem em nossa estratégia de Brasil, por oferecer a oportunidade de alugarmos para brasileiros nesses mercados”, diz Fogaça.

Segundo Fogaça a CVC também avalia expandir as operações da VHC pelo Brasil. “Hoje temos hotéis como parceiros, mas há regiões, cidades, em que falta a espaço”, diz. 

A CVC digital

Um outro ponto muito comentado na CVC é a expansão de sua estratégia digital. Hoje, a empresa já tem cerca de 300 funcionários organizados por meio dos chamados “Squads” — que tem autonomia para desenvolver e implementar soluções mais rapidamente nos sites da empresa. 

Além disso, a empresa começou um longo trabalho para integrar a base de dados das sete marcas que possui no Brasil. Com o banco de dados, a empresa poderá monitorar as tendências de comportamentos de diferentes perfis de consumidores e oferecer os pacotes mais adequados para cada um. “A organização do banco de dados deve acontecer até o fim do ano. Depois tem um processo de cerca de um ano até um ano e meio para implementar a estratégia”, diz Fogaça.

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