Crescendo menos no Brasil, Ambev pode buscar novas aquisições na América Latina

A busca por alternativas para seguir crescendo, tendo em vista o cenário não muito favorável da economia nacional, pode trazer uma confiança maior dos investidores

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SÃO PAULO – O mau desempenho dos indicadores macroeconômicos brasileiros está provocando mudanças nas estratégias das mais diversas empresas da Bovespa. Nem mesmo a favorita para dar goleadas na Copa do Mundo – a Ambev (ABEV3) – escapou do movimento, apesar do otimismo de analistas com o papel. Segundo analistas do Goldman Sachs, o gigante do setor de consumo provavelmente buscará novas aquisições na América Latina para driblar o mau momento da economia brasileira.

Se, nos últimos meses, a pressão por conta do aumento de impostos sobre bebidas já prejudicava a empresa, a chegada do mundial não ajudou em nada a companhia. Para piorar, a Ambev chegou a ter problemas com o organizador da Copa, a FIFA, o que por um momento preocupou o mercado. Confiante com a empresa, a analista-chefe da Coinvalores, Sandra Peres, em entrevista ao InfoMoney destacou alguns fatores que têm ofuscado tanto os efeitos positivos da Copa do Mundo quanto os fundamentos da companhia, que, em sua visão, deveriam ajudar a manter o otimismo com o ativo.

Além dos indícios de tributação sobre bebidas – mesmo com o governo aceitando elevar impostos apenas em setembro e de maneira gradual, beneficiando as vendas da companhia -, quem jogou água no chopp da Ambev às vésperas do maior evento esportivo do planeta foi o Credit Suisse, que rebaixou a recomendação da ação para “neutro” e diminuir seu preço-alvo de R$ 20,00 para R$ 18,00. Além do “rebaixamento”, o Credit mostrou preferência pela ação da AB InBev, ressaltando a diversificação da empresa, tendo um cenário melhor pela frente tendo outros catalisadores além da operação brasileira.

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O relatório cita que o Brasil está menos atrativo do que anteriormente. Segundo o banco, os principais fatores para isso são: alto nível de consumo, impostos para bebidas e cenários macroeconômicos e demográficos mais fracos. O banco mostra em relatório que a população brasileira entre 18-35 anos, principal consumidor de cerveja da Ambev, deve diminuir nos anos seguintes.

A busca por alternativas para seguir crescendo, tendo em vista o cenário não muito favorável da economia nacional, pode trazer uma confiança maior dos investidores, uma vez que a companhia deixa mais claro seu interesse em melhoras operacionais e aumento de vendas. No entanto, para os analistas do Goldman Sachs, liderados por Luca Cipiccia, a maior cervejaria da América Latina – atualmente com 65% de sua receita e 71% de seu lucro operacional no Brasil -, mesmo com possível expansão orgânica, se sairia melhor comprando rivais menores para combater a concorrência da SABMiler.

Cipiccia e sua equipe esperam que o volume de vendas e o crescimento do lucro desacelerem no Brasil após a Copa do Mundo, que termina em 13 de julho. Enquanto os volumes da Ambev no Brasil podem ser fortes neste ano, graças a uma base de comparação anual favorável e a uma onda de calor que impulsionou o consumo de cervejas, uma desaceleração é esperada na segunda metade de 2014 e em 2015.

“A administração da Ambev pode ser incentivada a acelerar o crescimento na região e rebalancear o mix de negócios fora do mercado doméstico”, disse a nota. “No entanto, oportunidades significativas de expansão orgânica e aquisições nos mercados atuais da Ambev são escassas e limitadas em tamanho, levando em conta suas posições já dominantes”.

(com Reuters)

Marcos Mortari

Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.