Mineração

Credit Suisse eleva preço-alvo da Vale, mas faz alerta: rali não refletiu fundamentos

Para o banco, a mineradora terá um período de desafios entre 2015 e 2016, com os preços do minério possivelmente caindo mais do que os custos da companhia

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SÃO PAULO – As ações da Vale (VALE3; VALE5) realizaram um rali que animou os investidores nas últimas semanas, acompanhando uma recuperação nos preços do minério de ferro. As ordinárias VALE3 subiram 57% de 22 de abril à máxima do movimento, no dia 6 de maio (alta de 20% até hoje), enquanto as preferenciais VALE5, subiram 40% no mesmo período (19% até hoje).

Com isso, o Credit Suisse decidiu elevar o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) da companhia de US$ 5,00 para US$ 5,70. No entanto, para a equipe de análise do banco, o desempenho dos papéis neste período não refletiu os fundamentos da companhia, que continuam iguais sem uma mudança estrutural significativa na situação econômica da China. 

Em relatório assinado pelos analistas Ivano Westlin, Renan Crisclo e Santiago Perez Teuffer, a equipe avalia que os grandes concorrentes da Vale, ou seja, as gigantes BHP Billiton e Rio Tinto, não seguirão o caminho da desaceleração na produção e manterão seus objetivos para o período de 2015 a 2017. O resultado disso o acionista da Vale já sabe, é o minério mais barato e a inviabilidade dos pequenos produtores no mercado. 

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Nem tudo é notícia negativa para a mineradora, contudo, já que ela está avançando na direção de conseguir reduzir custos, o que deve ofuscar em certa medida os preços mais baixos do principal produto da empresa.

De acordo com o relatório, o breakeven cash cost – preço no qual a companhia consegue cobrir os seus custos, mas não tem ganhos – está em torno de US$ 40 a tonelada do minério, o que não deve ser ser suficiente como cobertura para perdas se a queda livre das cotações da commodity chegar a ficar entre US$ 37/t e US$ 39/t. Isso a menos que o início das operações da mina de Carajás S11D traga o breakeven para US$ 35 a tonelada. 

“Em nosso cenário, no qual a Vale será um dos mais competitivos players globais em termos de custo e os quatro maiores produtores serão capazes de gerar caixa com as operações mesmo em um cenário de preços de mercado abaixo US$ 45/t CFR China, a nossa estimativa de preço de referência de US$ 45/t em relação ao 3º trimestre de 2015 e o 2º trimestre de 2016 poderia muito bem se materializar”, afirmam os analistas.

O grande risco para a Vale, neste caso, seria que os preços do mercado caíssem mais rápido do que os custos. A recomendação para a empresa, então, foi mantida pelo Credit Suisse em underperform (abaixo da média do desempenho do mercado). No entanto, a previsão para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) subiram de US$ 6,6 bilhões para US$ 5,8 bilhões para o ano de 2015.