Siderurgia

Credit Suisse corta recomendação para Usiminas e ação cai forte

Analistas alertam para otimismo excessivo do mercado e prevê que a siderúrgica terá problemas de endividamento

SÃO PAULO – Apesar da entrada da Ternium ter trazido à Usiminas (USIM3, USIM5) uma equipe de nível mundial, com competência para entregar uma impressionante revolução na empresa nos próximos anos, a equipe do Credit Suisse cortou a recomendação dos papéis para underperform, isso é, desempenho abaixo da média do mercado.

As ações respondem em forte queda nesta tarde. Segundo cotação das 12h01 (horário de Brasília), o papel USIM3 recua 1,85%, aos R$ 12,74, enquanto o USIM5 cai 4,30%, para R$ 11,59.

Segundo escrevem em relatório os analistas Ivano Westin, Marina Melemendjian e Viccenzo Paternostro, a recente alta das ações é excessiva e o mercado parece estar superestimando os benefícios trazidos pela Ternium. A equipe do banco elevou o preço-alvo de R$ 8,60 para R$ 9,00, mas que indica um potencial teórico de desvalorização de 24,5% sobre o último fechamento de USIM5. 

Segundo cálculos do Credit Suisse, desde agosto a Usiminas superou o Ibovespa em cerca de 68%, assim como têm mostrado uma valorização 67% mais forte que os preços de aços planos e 63% acima de seus pares no Brasil.

Os analistas lembram que desde aquele mês as ações têm sido favorecidas por diversos incentivos do governo – redução no custo da energia, elevação nas tarifas de importação e desvalorização cambial -, ao mesmo tempo em que a empresa tem empreendido esforços para cortar custos e aumentar a eficiência.

Entretanto, o Credit acredita que o mercado está muito otimista. Eles dizem que as principais divergências entre os analistas são sobre volume de aço, preços, o plano de corte de custos e o capex (investimentos em máquinas e equipamentos).

Usiminas terá problemas de dívida
A equipe do Credit Suisse também traça um cenário pessimista para a dívida da Usiminas. Segundo eles, no próximo ano a siderúrgica irá quebrar novamente as regras de dívida estabelecidas com seus debenturistas. Se eles não conseguirem um perdão dos detentores da dívida por essa quebra no contrato, o vencimento da dívida pode ser antecipado.

Neste ano eles quberaram as regras de endividamento e tiveram que renegociar os termos. Até este último trimestre de 2012 a Usiminas concordou em manter a dívida líquida/Ebitda (geração operacional de caixa) em uma relação de cinco vezes. No segundo trimestre do próximo ano as regras voltam para as inicialmente acordadas, isso é, uma relação de 3,5 vezes.

As projeções do Credit Suisse sinalizam uma dívida líquida/Ebitda de 5,4 vezes no fim deste ano e de 3,5 vezes no segundo trimestre de 2013, o que fará com que tenham que renegociar os termos mais uma vez.

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Usiminas: uma nova Klabin?
Com tantas divergências entre o próprio mercado, a equipe de análise diz ter recebido muitas perguntas de se a Usiminas é uma nova Klabin (KLBN3). No acumulado do ano, as ações da empresa de papel e celulose disparam 83,8%, enquanto as preferenciais da Usiminas sobem 18,3% e as ordinárias caem 24,3%. Apesar de algumas semelhanças entre as duas, eles dizem que a resposta é não.

Entre as principais diferenças, a Klabin possui uma estrutura de custos melhor, por ser uma companhia integrada; ela tem poder para colocar os preços em seus produtos, enquanto a Usiminas é dependente dos preços internacionais; enfrenta uma competição doméstica não-predatória, contra uma forte concorrência de CSN (CSNA3) e Arcelor Mittal para a siderúrgica; e, por último, a Usiminas enfrenta uma ameaça das importações, diferente da Klabin, já que as importações de celulose são limitadas.

Toda essa diferença se resume nos números trimestrais das empresas. Nos três trimestres posteriores a entrada de uma nova equipe na diretoria a Klabin mostrou um crescimento de 20% no Ebitda (geração operacional de caixa). Já a Usiminas revelou uma queda de 31%.