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SÃO PAULO – A Cosan (CSAN3) e a Shell anunciaram nesta segunda-feira (14) a segunda etapa da joint venture assinada entre as duas companhias em agosto de 2010, com a apresentação da marca que será utilizada para representar a empresa criada a partir da união das companhias, intitulada como Raízen.
O nome da empresa pretende reforçar a identidade brasileira da companhia. Raízen é “a união de duas forças”, a raiz, que extrai nutrientes necessários para o crescimento da planta, e a energia, motriz de todo movimento. A cor roxa, utilizada no nome, representa a aparência da cana-de-açúcar madura.
A marca será utilizada corporativamente, mas a rede de mais de 4.500 postos passará a exibir unicamente a marca Shell. Assim, a Esso, detida pela Cosan, tenderá a desaparecer em até 36 meses, segundo a administração da companhia.
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Referência em energia sustentável
Para Rubens Ometto, presidente do Conselho de Administração da Cosan, a união de forças propiciará reconhecimento para ser referência em produção de energia sustentável, com uma estrutura logística privilegiada para crescer forte, junto com o País. Vasco Dias, presidente designado para a joint venture, lembrou que a Raízen nasce com R$ 20 bilhões em valor de ativos, aproximadamente R$ 50 bilhões de faturamento e 40 mil funcionários.
Dias destacou ainda que em um horizonte de cinco anos, a produção de etanol pela companhia deve dobrar para cerca de 5 bilhões de litros, enquanto a capacidade de moagem de cana-de-açúcar deve chegar a 100 milhões de toneladas. A capacidade de geração de energia também deverá aumentar, passando de 900 MW para 1.300 MW. O processo de integração das unidades de negócios de Shell e da Cosan dentro da união está em andamento e deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2011.
Produto para exportação
A partir disso, será possível consolidar o etanol de cana-de-açúcar como commodity internacional. A expectativa é incrementar a exportação, principalmente para Europa e Ásia, aproveitando a credibilidade que a Shell tem no mercado internacional. Em relação ao mercado norte-americano, Dias preferiu não dar expectativas, mas disse que a abertura de mandatos em estados, por exemplo, pode acelerar esse movimento.
“Além da capacidade física de distribuição, é importante a credibilidade que o nome Shell tem no mercado internacional”, avaliou Dias, que espera que dúvidas relativas ao etanol, utilizadas como barreira protecionista por alguns países, por exemplo, sejam desfeitas, possibilitando a comercialização do produto nos mercados externos. “A intenção é aumentar exportações significativamente”, disse o presidente da joint venture.
O mercado interno não foi esquecido. Com a ascensão dos automóveis flex, o álcool foi o carro chefe do crescimento da Cosan nos últimos anos, consumindo boa parte do etanol produzido. A Raízen deverá fazer frente também a esta expansão, e por isso serão necessárias novas usinas, além das 23 que farão parte do portfólio da nova companhia.
Para suportar esse nível de investimento, a companhia precisará captar no mercado de títulos corporativos, mesmo com o aporte de caixa de US$ 1,6 bilhão que a Shell fará na joint venture. Para tanto, agências de classificação de risco já foram cotadas para que a empresa possa receber uma nota de crédito.
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Pesquisa para segunda geração
Dentro da Raízen, foram incluídas ainda participação de 16,3% que a Shell detinha na Codexis, uma companhia que desenvolve biocatalizadores, que tornam processos industriais mais rápidos e limpos.
Os direitos de comercialização da Shell na Iogen Energy, líder em biotecnologia especializada em etanol celulósico, também fazem parte da nova empresa. A Raízen será utilizada para digirir e focar as pesquisas desenvolvidas por estas empresas para acelerar a produção de etanol de segunda geração, a partir do bagaço da cana-de-açúcar.
Dentre os ativos da Cosan que ficaram de fora da joint venture, estão as marcas de varejo de açúcar e o negócio de logística de açúcar administrado pela Rumo. No entanto, existirão contratos para a comercialização de produtos entre a Cosan e a Raízen, como um acordo de longo prazo firmado entre a Rumo e a nova empresa.