Corte decepciona

Corte na Petrobras deve ficar abaixo do esperado, diz agência; ações viram e fecham em baixa

Em vez dos US$ 220,4 bilhões previstos inicialmente no prazo de cinco anos, como definido no plano de negócios para o período de 2014 a 2018, o investimento ficará na casa dos US$ 165 bilhões, de acordo com fontes ouvidas pela agência

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(Bloomberg)
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SÃO PAULO – As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) passaram de forte alta de 2,47% para os ativos ON e de 1,74% para papéis PN para queda superior a 1% no final do pregão. As ações PETR3 fecharam em queda de 1,37%, a R$ 14,35, enquanto os ativos PETR4 tiveram baixa de 1,74%, a R$ 12,97.

O motivo da queda é a notícia da agência Broadcast de que o conselho de administração da Petrobras vai analisar uma proposta da diretoria da empresa de cortar os investimentos em cerca de 25%, o que seria um corte abaixo do esperado pelo mercado.

Em vez dos US$ 220,4 bilhões previstos inicialmente no prazo de cinco anos, como definido no plano de negócios para o período de 2014 a 2018, o investimento ficará na casa dos US$ 165 bilhões, de acordo com fontes ouvidas pela agência.

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Conforme destaca o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, este valor representa pelo menos US$ 10 bilhões a mais do que o mercado estava esperando para o capex da companhia, o que sinaliza que a interferência política continua na estatal, afirma, o que não é uma boa sinalização para o mercado. Vale destacar que o plano de negócios da empresa é um dos principais catalisadores de curto prazo; diversos analistas destacaram ainda a necessidade de redução da alavancagem da companhia, que é fundamental, mas desafiadora. 

Por outro lado, pelo projeto, a Petrobras deixará de ser obrigada a arcar com, pelo menos, 30% de todo investimento realizado em reservas localizadas no polígono do pré-sal, onde estão as principais descobertas de petróleo dos últimos anos. Neste caso, ela terá um alívio de caixa, por não ter que se comprometer com tantos recursos para o pré-sal.

Um dos pontos de temor é com relação à reação dos trabalhadores ao encolhimento da companhia. O presidente da companhia, Aldemir Bendine, quer realizar cortes na empresa, algo que desagrada os sindicalistas, que veem no encolhimento da companhia uma privatização disfarçada.